Thursday, June 14, 2007

Cheira a cidade ao suor da roupa

Cheira a cidade ao suor da roupa. Os vidros embaciados da lavandaria era no tempo em que os anjos deixavam as asas a secar. Esses anjos não eram homens em espírito. Não sabemos que forma tinham, passavam por nós rápidos como água a correr e nós atribuiamos uma forma que se moldasse á ideia livre das palavras. Numa ocasião passou o anjo mudo. Na lavandaria não havia vidros embaciados, só uma sensação de frio, uma manifestação de silêncio decifrada na margem do nosso espanto humano.
Cheira a cidade ao suor da roupa, houve um tempo em que a noite era uma mulher fatal, sabia versos e cheirava a tabaco.

lobo 05

Posted by relogiodesacertado at 09:26:05 | Permalink | No Comments »

Sunday, June 3, 2007

Bebendo o fumo de uma nuvem de licor

Andei pelas ruas bebendo o fumo de uma nuvem de licor. Estou em Lisboa onde o louco escriturário faz a dança da chuva. Há uma fila de gatos pingados á espera de um naco de pão e de uma sopa verde para tatuar o corpo aos que morrem. Esse ritual secreto é guardado na confraria do chefe Silva. Todos os venenos ficaram acautelados. Foi pois numa tarde em que é normal aparecerem almas do outro mundo, numa hora de ponta, numa movimentada cidade asiatica que o diabo fez a bicicleta para o pobre subir a montanha e o turista rico tirar a fotografia ao céu e á pobreza. Tu gostas daquele poeta, aquele poeta que cheira a sangue e á carne dos touros bravos, tu gostas do cheiro daquela paisagem no corpo dele, a paisagem que também cheira ao sangue dos touros bravos. Hoje vai trovejar, não será o som dos teus lábios guardando canções de amor. Mas de certo que o amor terá o seu momento,   os ingredientes e especiarias das indias. Na tarde em que andei pelas ruas ouvi o som de batatas a descascar, soprava um vento de partir janelas e levantar saias. Era a paixão segundo são Mateus, a velha sentada na cadeira de baloiçar e são Mateus a fazer um filtro para o cigarro. O dia é calmo; isto do dia ser calmo é muito relativo. Em qualquer parte do mundo o amor tenta resistir ao ódio e nos muros da cidade há desenhos que poarecem ter movimento como olhos que mexem ou a água de um rio subindo nas pedras. Por estas horas o diabo ainda está a fazer a bicicleta, para ele parece um quebra cabeças. Se Deus não dorme o diabo tem o previlégio deste vicio humano.

Lisboa ano de 1143. Um rapaz de dez anos bate na mãe. O movimento surrealista dos templários de vila de não se sabe de onde declara que nada disto tem de ser declarado, mais tarde a estalada que a criança ou o pirralho deu na mãe teria de ser declarado nas finanças. Quem não tem dinheiro não devia pagar impostos, mas em alternativa teria de recitar um poema, pôr uma ovelha a pastar, fazer sapateado, ou cortar a relva por baixo dos sapatos do funcionário da respectiva secção de finanças. Lisboa cheira a poetas e a sardinha. Segundo certas cabeças como pode esta cidade ispirar ao amor, mas eu pergunto ás bocas conservadoras e porque não?! E também o chefe silva enquanto corta os veios do bife pergunta se o óleo que usa não é também usado na lubrificação do acto não descrito aqui por causa das crianças.  Lisboa é um espaço fisico de homens e mulheres, de velhos generais, de dejectos, de discursos politicos, de fatiotas cinzentas, de  negócios combinados entre empresários da construção civil e gente do futebol e gente de todos os séculos e de todos os planetas perfilados nas retretes. Estou olhando a nuvem de licor, o amor é bonito e certas criaturas nem para limpar os vidros têm prestimo. Continuaremos a ver monstros, não os verdadeiros monstros que nos metem medo, mas os monstros cinicos que nos metem um medo maior pelo que escondem e por isso a nossa poesia é um amuleto seguro. Não precisamos dos que saltam as janelas, dos que voam ao encontro da morte e nos roubam o direito a ler e a escutar as palavras que guardavam na boca e no peito, as palavras que tinham nos olhos para resistir á escuridão e á submissão de uma vida sem objectivos. Esses poetas que escolheram a morte, que saltaram das janelas, que ingeriram veneno, puseram uma corda, escolheram uma dança folclorica e cortaram o pescoço fazendo o sangue cair para o alguidar onde os editores, jornaleiros e louras senhoras, propriatários de alternes e casas de pasto e ainda outra mulher lavando os pés ao nosso senor que não dorme a sesta coisa muito comum em espanha. Confesso que gosto dos ateus, gosto deles porque tem frontalidade. As pessoas religiosas caminham para nós para nos avisar de um perigo que veêm nos outros quando o verdadeiro perigo é a existencia delas. As pessoas caridosas,  a igreja católica ,  sociedade anónima dos pobres de lisboa e a confraria dos estupidos de roma, um senhor muito influente vai sustentar este império . Vou continuando a percorrer a cidade, entro na pastelaria e delicio-me com um jesuita, também o marquês assim como o meu amigo marques são apreciadores de jesuitas, matar a fome com um jesuita ou matar muitos jesuitas é coisa que já não se usa, a arma mais eficaz para acabar com a igreja é saber que não existe, é sabermos que não serve para nada, servir para alguma coisa é tornar a humanidade mais rica, mais livre e autonoma. Lisboa tem o rio, o rio corre para os olhos dos loucos e deles nada de impuro se pode esconder

lobo 07

Posted by relogiodesacertado at 13:44:15 | Permalink | No Comments »

Saturday, June 2, 2007

Meu amor o que a chuva te fez.

Andas-te á chuva;

meu amor o que a chuva te fez…

tão frios pôs os teus cabelos

meu amor não fiques para jantar

que vou levar a chuva ao ao cinema

 

Andas-te á chuva e o rádio tocou

mas se não fosse a chuva a musica não seria com aquela intenção de andar pelo quarto como um fantasma.

Estás maluco! Diz-me ela. Levar a chuva ao cinema e para ver o quê?

 

lobo 07

Posted by relogiodesacertado at 11:18:21 | Permalink | No Comments »

Tuesday, May 29, 2007

A nuvem que é um anjo e que me quer levar para casa

Certo homem procurava uma casa para poder habitar, muitas vezes dormira na rua, sujeito ao frio que vinha das montanhas ou recebendo os raios de sol que eram trazidos pelo perfume das flores e pelo suspiro dos jovens apaixonados. Andava ele nesta procura quando ouviu uma voz que o chamava:
- Olha para cima! disse a voz. E ele olhou e viu uma nuvem pequena e azul.
- ” De certeza que não foi ela que me chamou, as nuvens não sabem falar embora sejam criaturas sentimentais.
- Olha! Ó homem estou a falar contigo, estou aqui neste céu que tem sido a tua casa, sei que procuras uma casa dessas onde moram homens como tu, onde se acasalam, tem filhos, tem um trabalho, fazem projectos e um dia vem o outono e leva-os para um jardim frio.
- Onde fica esse jardim frio e porque estás a falar comigo esssas coisas?!
- Sabes embora eu tenha a aparência de uma nuvem, na verdade sou um anjo. Tu procuras uma casa, um lugar onde possas repousar sem sobressaltos de especie alguma, sem medo dos salteadores de estrada, um lugar onde possas ficar a sós com a tua alma, onde possas reflectir sobre a tua condição e sobre o sentido de toda a tua vida, quero dizer-te que tenho uma casa para ti.
- E onde fica esse lugar? É muito longe daqui?
- Para habitares essa casa tens de sentir que todas as tuas dores vão saindo como uma gota de água se evaporando dos olhos, tu só podes habitar esta casa quando não houver em ti nenhuma solidão e nenhum desejo.
- Estava a pernsar que durante este tempo que dormi na casa do universo, durante esse tempo em que me alimentei do fruto das árvores e de distintas raizes, em que senti o frio das montanhas e os braços das mulheres rodeando este meu coração fraco e cheio de duvidas sobre o amor, me apercebi também que uma luz me entrava na alma quando os livros que trazia comigo eram os poetas, esses seres sujos e pobres, essas criaturas insignificantes aos olhos dos bispos e dos juizes. Mas quando chegava uma chuva torrencial e as pesadas gotas caiam sobre eles eu julgava que estavam a ser abençoados, que aos seus pés se formava um arco irís tão colorido e brilhante como uma recompensa depois da morte. Depois não me importava o frio e nem a fome me torturava o espirito. Antes de saber que eras um anjo olhava-te ou olhava outras como tu e sentia que estava tão leve e tão silencioso que me esquecia de tudo e que no fundo eu era o pequeno grão de terra e toda a montanha era criação dos meus olhos.
- Dá-me as mãos, vou levar-te a essa casa.
- Estou com medo!
- De que tens medo
- Eu procurava uma casa e agora encontro uma nuvem que é um anjo e que me quer levar a uma casa que sinto ser aquela que quer receber a minha alma, aquela onde deixarei à porta as minhas dores, a minha fome, as minhas palavras e os meus amores carnais. Estou indeciso parece que preciso de me recolher por uns dias naquela velha igreja e aconselhar-me com os pássaros que costumam poisar sobre a toalha de linho estendida no altar.
E o homem ficou durante três dias naquela velha igreja onde há muito a unica liturgia era o canto dos pássaros e onde o sol se convertia aquele mistério. A nuvem passado alguns dias entrou naquela igreja onde prostrado sobre umas escadas de pedra estava ele. O anjo pegou na sua alma e levou-a para aquela casa que é o grande sol, que é o grande oceano, que é a grande porta que se abre para o novo bater de um coração.

de lobo 05

Posted by relogiodesacertado at 17:02:26 | Permalink | No Comments »

Sunday, May 27, 2007

Estava perdida…

Estava perdida e era azul

essa cor que a cobria

esse mar que não sabia

o homem que a acordava

o homem que a adormecia.

 

Estava perdida

e era tão perto a ilusão de morrer

quando a palavra vazia

se faz palavra nascer.

 

Estava perdida e era noite

o que vinha ao pensamento

quando o amor era o vento

quando o sentir se perdia

esse mar que não sabia

o homem que a acordava

o homem que a adormecia.

 

lobo 07

Posted by relogiodesacertado at 10:34:53 | Permalink | No Comments »

Friday, May 25, 2007

Ela era quente

 

Ela era quente, convinha que fosse quente e que os seus olhos fossem eléctricos como um fio da palavra no cume da montanha onde te vejo cair e na tua morte vejo a morte da cidade e a paixão dos homens da cidade e é plural a definição de homem com cidade. Ela era quente, toquei-lhe no ombro e vi que tinha as asas de um anjo e que atraia os homens e os esfaqueava com o caule das flores e que dormia nos taxis velhos e que vestia o sobretudo dos poetas e que sabia os poemas que cheiravam a cão e ás chaminés das fábricas de Nova York. Ela era quente e quando mexia as ancas as ervas dos muros e os velhos do jardim e as bichas e os paneleiros e os que tiram fotografias e abusam das crianças que posam nos postais e que choram de fome e são os senhores que os comem com a língua do dinheiro frio. E tu continuas quente com uma corda no pescoço e a Coreia não é um céu azul, nem Paris é um Cu. Ela era quente e por cima do seu ombro eu cantei a marcha dos pássaros e depois a sombra desmaiando nos muros era o cemitério dos mortos a voar e tu no teu discurso sublinhas-te que os mortos não podiam voar e eu disse-te que era o espirito que só existe nos livros dos poemas e nas cordas da guitarra dos subúrbios. Olhei por cima do teu ombro, vi o corpo imóvel pendurado no alto do arranha céus e vi que os teus dedos telegrafavam e o sangue caia enquanto chupavas os dedos e a máquina de filmar trabalhava sozinha com o corpo a cair-lhe em cima. Um suicídio em directo. Uma flor em directo a pedir água no noticiário das oito.
A flor era mãe de um soldado um pobre sem destino e que havia de ser morto e não conhecer o destino de morrer e de se apaixonar. Olhei-te por cima do ombro e lá estava o rio e os pregos a boiar na água dos pneus e ele o homem do talho cortava o sexo porque uma vaca lhe fora infiel. Agora chora e não vende carne infiel e mijasse como um atrasado mental que dá o cérebro para o transplante dos hambúrgueres .

Uma vaca passeava de hambúrguer por nova york e por cima do teu ombro essa cicatriz esse dedo marca digital na revista. E nova york é dos cães e Paris é das vacas e os Árabes são os donos das pedras e dos muros e os capitalistas compraram as praias e alugam cronómetros para que o sexo se faça discreto e rápido como o copo de água que se bebe num gole. Olho-te por cima do ombro e a cidade é uma festa e os homens vão cinzentos subindo e descendo as escadas e choram e riem e um dia não o fazem e quando não se faz morresse . se não queres morrer ama e se queres amar mesmo morre, se não é mentira todos os dias, a mentira de nascer e acordar.

Abre as pernas mesmo que seja só um dia, uma borboleta desflorada estará comigo neste sonho de te ver em nova york a gemer.
Por cima do ombro onde o rio bebe o esperma da borboleta que acasalou com o poeta.

lobo 05

Posted by relogiodesacertado at 12:36:05 | Permalink | No Comments »

Monday, May 21, 2007

Ainda espero

Ainda espero aquela canção com a rádio metida entre lençóis, ainda penso que me apaixonei por ti quando te vi de punho erguido descendo a avenida. Vou experimentar aquele fato de macaco, agora tenho aulas de sexo e de mecanica, tu queres fazer amor em cima do tejadilho do velho carocha, pego no capital de karl marx e faço uma almofada para pores a cabeça, cada orgasmo teu é uma conquista revolucionária. O teu corpo, o nosso corpo, parece que tem lá o grito dos nossos filhos, as canções que eles querem cantar, a força que tem… meu amor onde está abril, em que rua se canta ainda a grandola. olha meu amor já ouvis-te falar dos orgasmos de Abril?!… vamos cantar , nós temos os tomates cheios de revolta, vamos fazer do nosso corpo livre, um mundo livre de opressão
lobo 05

Posted by relogiodesacertado at 12:21:22 | Permalink | No Comments »

A carne sobre o pensamento

A minha alma sobre o fogo

a carne sobre o pensamento. Tu chegas ao meu ser como um gigante a um País estranho.

A minha alma doi tanto como uma foto tirada a uns olhos pobres.

Tu filmas o corpo, o desespero do corpo, a sombra negra do chão. O corpo é um animal aflito. Uma corda, uma gota de água, um grito…

lobo 07

Posted by relogiodesacertado at 12:03:21 | Permalink | No Comments »

Deixemos cair os muros

Deixemos cair os muros; um homem não é de pedra mas há alguns que são rochas a pesar a liberdade dos outros.

Um homem não é de pedra, um homem pode ser bicho e não lhe fica mal se for água de um rio. Se não deixamos cair os muros, se faz sentido haver homens de pedra que o sol tenha o privilégio de lhes caiar o rosto e que as ervas nasçam como aquelas palavras que te declamo quando acordas suja e não te apetece deitares os olhos à janela e veres o mundo a cambalear na rua. Um homem, dizem alguns: não é de ferro; que um homem não seja de ferro ou de plástico pois se um homem fosse de ferro era muito difícil o amor, mas se um homem for de ferro o amor pode ser um carro de combate e quando a chuva lhe tocar o amor é sempre aquilo que não vai enferrujar a terra. Um homem não é de ferro, se um homem fosse de ferro seria impossível haver um Deus crucificado e feito à imagem dos homens que vão à guerra. Um Deus de ferro podia dar cinzas à terra e seria um Deus menino filho de um óperario ressuscitado no meio do entulho da fábrica do mundo.
Deixemos que haja muros a cair e muros levantados, muros que nos façam perceber que há guerras e que a paz é dentro das casas e é nas ruas, é tudo nas lágrimas e nos sorrisos. Um homem não é de pedra e se for é a casa onde entram os amigos e as janelas são os olhos que ele abre para saudar o dia. Um homem não é um bicho costuma alguém dizer, como se ser bicho fosse a vergonha de habitar a terra. Um homem é um bicho e qualquer bicho tem a dignidade de qualquer homem.

Os bichos dão calor e os homens recebem o calor do bicho sol e alguém com ar de astrónomo importante vai dizer! O sol é um bicho?!
É tão bicho como a lua é poeta.
Um homem não é de pedra mas se a pedra tiver poros é melhor assim que haver homens que não deixam respirar o pensamento.

Um homem é bicho, é ferro, é pedra, é alma, de todas as substâncias ele é e de todas as substâncias é a vida e do mesmo cumprimento de onda a morte. Um homem também é a água de um rio. Acabemos com esta palavra homem.
Era uma vez uma mulher. Uma mulher não é dos homens. Os homens e as mulheres não são dos escritores que escrevem livros, não são dos filmes nem dos teatros. Uma mulher não é de ninguém, uma mulher é um bicho e um bicho é todo o universo.

Um homem é um homem, uma mulher é uma mulher e nós somos o que quisermos. A pedra das casas e o ferro das armaduras. Assim faz sentido acordar sabendo que não foi em vão adormecer.

de lobo

Posted by relogiodesacertado at 09:09:45 | Permalink | No Comments »

Um certo tempo do amor

Com o gume da faca cortaremos os pulsos á corrente sanguinea do sujo rio. Abreviaremoso tempo doloroso das fábricas e dos campos. Os olhares dos dias incertos. E de novo o tempo doloroso de quem espera. Cortaremos os pulsos no modo sagrado e sujo dos antigos.
Abreviaremos o tempo doloroso desta incerteza dos dias de não se saber o rumo do vento ou da água, de não encontrar os olhos para a visão brutal de um certo tempo do amor.

lobo 05

Posted by relogiodesacertado at 09:03:51 | Permalink | No Comments »