Monday, December 29, 2008

Quando eu tinha alma

Quando eu tinha alma, nesse tempo em que os olhos iam em viagem.

Quando eu tinha alma e os frutos mais doces sabiam a chuva. Quando estar perdido era conhecer a noite.

Quando eu tinha alma os outros não eram estranhos e os estranhos eram irmãos e os velhos eram árvores e as raízes eram as luzes da cidade.

Quando eu tinha alma, nesse tempo em que os olhos iam em viagem e as histórias circulavam nos braços e os coelhos eram de março e os patrões dançavam com os operários e as utupias nasciam nas flores

                                                                                                                                           lobo 08 dezem

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Friday, December 12, 2008

Agora as palavras bebem água
a que sai dos lábios
para o deserto dos livros.

Os passos lentos da vida
aquele modo de fechar os olhos
quando adormecemos sem historias
ou crimes de desejar.

Agora as palavras  ferem
mas a lua é como um cão.
Quando voltares á tua infancia
pergunta ao mar onde estão as tuas memórias.

Agora as palavras bebem água
e entre os dedos corre o vento.
Disseste-me as palavras dos livros
senti o universo em todo o teu corpo.

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Wednesday, December 3, 2008

O mundo precisa

Foste tu que me mostras-te a chuva escorrendo nas mãos, a taça vazia na alma dos que dormem na rua. aqueles que vivem apagados sem alegria nitida, sem tristeza, abandonados como folhas sem a piedade do vento que as sopre. Foste tu com a lua sobre a cabeça, apenas assim, sem nada para inventar. Lisboa está a morrer ou és tu que não lhe descobriste um vagabundo. A cidade está repleta de nojo, jogos sem sedução, faltam porcarias com imaginação, o mundo precisa de voltar a estar perdido.
                                                                                                                    lobo 08
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