Sunday, June 17, 2007

Podias dividir o meu corpo

Podias dividir o meu corpo, uma parte seria água a outra umqualquer lugar para despertar e para adormecer. Podias meu amor o teu olhar perfurar o peito e depois o cansaço de não te perceber seria a guerra, o fogo que reacende os homens e a terra. Qualquer vontade de fazer de novo o amor, palavra no papel como maresia. Meu amor podias dividir o meu corpo uma flor quebrada e um peixe. Meu amor eu venho da cidade para falar da terra que nos prende, venho até que os olhos sejam o céu de umcoração que bate e não se rende. Meu amor o vento que chega agora mais tarde dentro de ti se atravessou como um olhatr ou como uma canção, talvez o silencio que se faz no modo de inventar a alma, a essencia das coisas que se perderam do modo humano
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Saturday, June 16, 2007

Por todos eles vale a pena chorar

Gostava de voltar a fazer a viagem que o espirito costuma fazer á noite do quarto ao mundo. Viajar grátis no expresso onde se pressente a chuva e um crime ou entrar no restaurante e olhar as caras cómicas untadas de gordura ou de paixão. Gostava de voltar a fazer a viagem, se pudesse levava um livro de poesia como companhia e um masso de cigarros. Certa noite eu fiz essa viagem, não sai do lugar, parece que as minhas pernas ficaram presas, parece que tinha raizes nos pés. Se volta-se a sair do quarto para o mundo, queria subir as escadas e encontrar o Mário, dizer-lhe que Paris na primavera não serve para morrer. Queria encontrar todos os poetas que por todos eles vala a pena chorar.

lobo 07

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Thursday, June 14, 2007

Cheira a cidade ao suor da roupa

Cheira a cidade ao suor da roupa. Os vidros embaciados da lavandaria era no tempo em que os anjos deixavam as asas a secar. Esses anjos não eram homens em espírito. Não sabemos que forma tinham, passavam por nós rápidos como água a correr e nós atribuiamos uma forma que se moldasse á ideia livre das palavras. Numa ocasião passou o anjo mudo. Na lavandaria não havia vidros embaciados, só uma sensação de frio, uma manifestação de silêncio decifrada na margem do nosso espanto humano.
Cheira a cidade ao suor da roupa, houve um tempo em que a noite era uma mulher fatal, sabia versos e cheirava a tabaco.

lobo 05

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Sunday, June 3, 2007

Bebendo o fumo de uma nuvem de licor

Andei pelas ruas bebendo o fumo de uma nuvem de licor. Estou em Lisboa onde o louco escriturário faz a dança da chuva. Há uma fila de gatos pingados á espera de um naco de pão e de uma sopa verde para tatuar o corpo aos que morrem. Esse ritual secreto é guardado na confraria do chefe Silva. Todos os venenos ficaram acautelados. Foi pois numa tarde em que é normal aparecerem almas do outro mundo, numa hora de ponta, numa movimentada cidade asiatica que o diabo fez a bicicleta para o pobre subir a montanha e o turista rico tirar a fotografia ao céu e á pobreza. Tu gostas daquele poeta, aquele poeta que cheira a sangue e á carne dos touros bravos, tu gostas do cheiro daquela paisagem no corpo dele, a paisagem que também cheira ao sangue dos touros bravos. Hoje vai trovejar, não será o som dos teus lábios guardando canções de amor. Mas de certo que o amor terá o seu momento,   os ingredientes e especiarias das indias. Na tarde em que andei pelas ruas ouvi o som de batatas a descascar, soprava um vento de partir janelas e levantar saias. Era a paixão segundo são Mateus, a velha sentada na cadeira de baloiçar e são Mateus a fazer um filtro para o cigarro. O dia é calmo; isto do dia ser calmo é muito relativo. Em qualquer parte do mundo o amor tenta resistir ao ódio e nos muros da cidade há desenhos que poarecem ter movimento como olhos que mexem ou a água de um rio subindo nas pedras. Por estas horas o diabo ainda está a fazer a bicicleta, para ele parece um quebra cabeças. Se Deus não dorme o diabo tem o previlégio deste vicio humano.

Lisboa ano de 1143. Um rapaz de dez anos bate na mãe. O movimento surrealista dos templários de vila de não se sabe de onde declara que nada disto tem de ser declarado, mais tarde a estalada que a criança ou o pirralho deu na mãe teria de ser declarado nas finanças. Quem não tem dinheiro não devia pagar impostos, mas em alternativa teria de recitar um poema, pôr uma ovelha a pastar, fazer sapateado, ou cortar a relva por baixo dos sapatos do funcionário da respectiva secção de finanças. Lisboa cheira a poetas e a sardinha. Segundo certas cabeças como pode esta cidade ispirar ao amor, mas eu pergunto ás bocas conservadoras e porque não?! E também o chefe silva enquanto corta os veios do bife pergunta se o óleo que usa não é também usado na lubrificação do acto não descrito aqui por causa das crianças.  Lisboa é um espaço fisico de homens e mulheres, de velhos generais, de dejectos, de discursos politicos, de fatiotas cinzentas, de  negócios combinados entre empresários da construção civil e gente do futebol e gente de todos os séculos e de todos os planetas perfilados nas retretes. Estou olhando a nuvem de licor, o amor é bonito e certas criaturas nem para limpar os vidros têm prestimo. Continuaremos a ver monstros, não os verdadeiros monstros que nos metem medo, mas os monstros cinicos que nos metem um medo maior pelo que escondem e por isso a nossa poesia é um amuleto seguro. Não precisamos dos que saltam as janelas, dos que voam ao encontro da morte e nos roubam o direito a ler e a escutar as palavras que guardavam na boca e no peito, as palavras que tinham nos olhos para resistir á escuridão e á submissão de uma vida sem objectivos. Esses poetas que escolheram a morte, que saltaram das janelas, que ingeriram veneno, puseram uma corda, escolheram uma dança folclorica e cortaram o pescoço fazendo o sangue cair para o alguidar onde os editores, jornaleiros e louras senhoras, propriatários de alternes e casas de pasto e ainda outra mulher lavando os pés ao nosso senor que não dorme a sesta coisa muito comum em espanha. Confesso que gosto dos ateus, gosto deles porque tem frontalidade. As pessoas religiosas caminham para nós para nos avisar de um perigo que veêm nos outros quando o verdadeiro perigo é a existencia delas. As pessoas caridosas,  a igreja católica ,  sociedade anónima dos pobres de lisboa e a confraria dos estupidos de roma, um senhor muito influente vai sustentar este império . Vou continuando a percorrer a cidade, entro na pastelaria e delicio-me com um jesuita, também o marquês assim como o meu amigo marques são apreciadores de jesuitas, matar a fome com um jesuita ou matar muitos jesuitas é coisa que já não se usa, a arma mais eficaz para acabar com a igreja é saber que não existe, é sabermos que não serve para nada, servir para alguma coisa é tornar a humanidade mais rica, mais livre e autonoma. Lisboa tem o rio, o rio corre para os olhos dos loucos e deles nada de impuro se pode esconder

lobo 07

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Saturday, June 2, 2007

Meu amor o que a chuva te fez.

Andas-te á chuva;

meu amor o que a chuva te fez…

tão frios pôs os teus cabelos

meu amor não fiques para jantar

que vou levar a chuva ao ao cinema

 

Andas-te á chuva e o rádio tocou

mas se não fosse a chuva a musica não seria com aquela intenção de andar pelo quarto como um fantasma.

Estás maluco! Diz-me ela. Levar a chuva ao cinema e para ver o quê?

 

lobo 07

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