Tuesday, March 6, 2007

Até que os olhos se fechem

A boca não come a palavra do jornal, o jornal é um peixe que cheira a podre e cheira tão podre e fica tão por baixo da terra que de tão profundo e ausente, anónimo e inexplicavelmente sedutor alcança a estação das despedidas e das paixões e dos amores que se renovam na morte e na adolescencia. A boca não come a palavra do jornal, o jornal corvo preto, bicho azarento que chateia a sorte e proclama a guerra e a faca a perfurar a vida do bairro e da prostituta e do tuberculoso e do gerente do banco e do chofer do autocarro, jornal afiado em todos os pregões de inocencia e pecado, o peixe fresco e a morte fresca e podre e doce e amarga e justa e injusta e de todos os modos até que os olhos se fechem.

lobo 07

Posted by relogiodesacertado in 17:02:58 | Permalink | Comments (1) »