Wednesday, January 31, 2007

referendo

A vida é uma coisa muito preciosa, a vida é a alma dentro de um corpinho por isso não devemos matar as vacas, nem as galinhas e eu proponho um referendo. Aceita que as vacas e as galinhas deixem de fazer parte do paladar assassino do ser humano. E no referendo seriam referenciados todos os seres vivos até se proponha a despenalização por se matar melgas. Então nós já sabemos que a vida é uma coisa preciosa e nós sabemos que a morte é tão preciosa porque faz parte da vida, quando fazemos amor é a morte que nos excita. Nós que somos pela vida, que temos o monopólio da vida, que protestamos contra os genocidios no uganda e permitimos derramamento de sangue nos aviarios de Freixo de espada á cinta. Matamos as galinhas porque são estupidas? porque somos alergicos ás penas, porque não sabem cantar mesmo com play back. Hoje vai haver referendo, a vaca maria está grávida e eu imagino uma pergunta assim:

Concorda em interromper a vida da vaca Maria em matadouro reconhecido com todas as normas de segurança e higiene.

Lobo 07

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Tuesday, January 30, 2007

Quando tu faltas ao rio, quando tu faltas ao frio

Minha amiga o mar desta tua respiração

não sei como fazer para embalar

a minha carta não sei se chegará

antes do canto do pássaro

quem se salvará?!

 

A tua tristeza minha amiga

na minha garganta é água

perdeste a rua

e a mágoa se atravessou

mas a carta se chegar e se a minha mão te tocar

antes do canto do pássaro.

Não me vou lançar da janela

para o horizonte

desenhar uma ponte por nos teus pés um abismo

faço um sismo ou uma pintura surrealista

amo-te já não é original, poemas são tantos

eu pego no teu pranto e é o rio que falta

quando tu faltas ao rio

quando tu faltas ao frio

quando tu faltas ao vazio

que falta inventar…

lobo 07

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Monday, January 29, 2007

O litoral entra pela rádio

O litoral entra pela rádio, estamos no limite entre a margem e o mar, a margem onde acordamos e o mar onde permanecemos adormecidos. A rapariga do vestido branco lançou-se do penhasco, foi um anjo jovem que a iniciou naquela fatalidade do amor. O litoral entra pela rádio, o corpo inerte do velho pescador cheira ao peixe podre, e agora de novo a rádio nos entra no quarto como um naufrágio,  depois da desilusão subiremos para apertar os braços que desfalecem. É tão azul o nosso amor, os nossos olhos, o céu , o pensamento que nos faz flutuar. O nosso quarto está para além da rádio, para além do mundo.

Tu respiras e depois do corpo só há intimidade

                                                                                                                                                                    lobo 07

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Saturday, January 6, 2007

O mar misturado nos homens

A alma das coisas são os homens, a alma das coisas é o mar misturado nos homens

e o mar e os homens cada qual com a sua furia, cada qual a sua perdição. O homem tem tantos nomes, o mar não tem culpa e o sangue que veste os soldados, que derruba ou glorifica. Ele dissolve tudo isto como apagando no profundo do seu tempo todas as memórias. A alma das coisas, o grito que desperta, a voz que se escuta ou a voz que se percebe declarada nos percursos da natureza.

A alma das coisas, os poemas, os corpos prostrados, as luas que iluminam e que escurecem as palavras nos lábios.

A alma das coisas, as coisas verdadeiramente uteis e aquelas outras coisas tão inuteis e fundamentais para variar a história da vida. A alma das coisas tristes e alegres e cheias de vinho, alma com todo o poder, aqueles que bebem o poder da alma que incendeiam de fogo e mais uma vez de perdição. A busca dos homens, a procura dentro dos olhos, nos olhos tão fechados. Nas mãos vou saber a forma do mundo.

A alma das coisas, as flores e os venenos, cada coisa a sua beleza e o seu assombro.

A alma das coisas, os poemas, os corpos prostrados, desejos electrificados quando os braços abraçam e as correntes do rio deixam as noticias evaporar tal o nosso suor, o nosso nome e a nossa fé.

A alma das coisas, ou as coisas da alma e tudo o que fica lembrado e esquecido, dentro da água e no céu que falta voar

 

lobo 07

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Gotas de chuva entre os dedos

Tu vieste, gotas de chuva entre os dedos e os dedos arrastando a terra, levando as ondas e a minha boca nos teus lábios salgados e este sal não faz adormecer o amor e tu vens de novo, gotas de chuva nos dedos e o amor na tua e nossa voz e não há pássaro para o limite do voo e na paragem do teu corpo me esqueço onde estou e a terra leva os dias e a nós nos leva qualquer vento.

lobo 07

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Friday, January 5, 2007

Há palavras a flutuar

Há palavras a flutuar e eu procuro os poetas esquecidos. Dormia no assento do autocarro com uma virgula entre os joelhos, tinha o melhor aspecto para encantar esquilos e borboletas. Este senhor poeta andava pelas avenidas, trazia folhas de papel soltas e as espalhava como se espalha o rio na terra e o grito que chega a todas as partes do universo e a todos os pontos do corpo e que está ao alcance dos olhos e que não tem poder e á a forma absoluta de ter a inocencia

lobo 07

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Wednesday, January 3, 2007

Quando te poes absoluta aos meus pés

O que é que entra nos olhos, o que é que adormece e o que é que desperta. Há muito tempo havia uma lua mais brilhante que as outras luas, tu tinhas a mão sobre um corpo adormecido e o poema era uma estrela a flutuar na água desse corpo pássaro vagabundo e pobre.

O que é que entra nos olhos, o que é que adormece e o que é que desperta. Depois da morte ainda se pode voar, ainda a terra tem o fogo e os lábios o beijo guardado para os guerreiros. O que é que entra nos olhos, o que é que tu respiras quando me amas, quando te poes absoluta aos meus pés.

lobo 06

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