Thursday, November 30, 2006

Tu sabes deitar a noite pela boca

Tu sabes deitar a noite pela boca…
beijo-te.
e sabe a liberdade o pássaro que encontro
no teu corpo.

Sabes deitar a noite pela boca
aquele vagabundo é um engulidor de flores
e tu pisas a terra
e há um jardim dentro dele.

Deitar a noite pela boca
é a tua magia…
O sol é um pássaro que te levanta a alma.

Ainda é cedo
morrer com o rio
e rir com o pássaro á janela
do grito da tua boca.

lobo

Que espanto este acordar….

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A madrugada que está dormindo

Peço ao rio

que não acorde a madrugada

que esta dormindo

 

A madrugada agora esta provando a agua que os homens bebem

 

E ela se esta enamorando do rio que habita a paisagem que pintamos de solidão

 

Peço ao rio que não acorde a canção em cada ser e que leve a madrugada ao

cansaço de cada homem.

 

Peço ao rio

que não acorde a madrugada que esta dormindo.

Ela agora esta saboreando

o doce de cada fruto

e com os olhos se desenha a paisagem que o amor nos inspira.

 

Peço ao rio que não acorde a paz que há em cada elemento

e que a agua atravesse o coração de quem contemple .

 

Peço ao rio que nao acorde a madrugada que esta dormindo.

 

escrito em bolognano

23 08 06

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Wednesday, November 29, 2006

O poeta encontrou a sombra das árvores

A poesia não vos merece ou merece sem distinção pedras flores e bichos, no regresso a casa o poeta encontrou pelo caminho a sombra das árvores, conversou com elas uma conversa simples, dessas que se tem depois da pausa do café, o murmurarda rádio, a desculpa de que nada se faz porque está chuva e que nada apetece e que tudo vai ser o mesmo que sempre foi. O poeta a falar com as arvores, a olhar nos olhos a perceber na natureza o intimo dos homens

lobo

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Vais começar a voar

gatos entre paginas
De


Vais começar a voar. Na margem do rio inicias-te o exercício do voar. Voar não é apenas um dom, é uma forma de educação, de conhecimento espiritual. Nós guardamos este conhecimento nos sonhos. Anjos e pássaros voam, além destes as máquinas e o peso não é uma desculpa para não se voar. Nós não voamos porque o peso nos prende á terra, nós criámos raizes , voar é uma capacidade, não é por si uma coisa importante. Sentir os pés no chão, o calor e o frio, ter a sensação da energia a fluir sem ficar preso ou dependente deixa-nos espaço e liberdade para decidir e para transformar. Foste até ao jardim de Gautama , com o matemático aprendeste as formulas matemáticas , com o agricultor as épocas de cultivo e com o teu silencio interior a escutar a chuva e a meditar. Meditar com as folhas de ch á o teu corpo e a tua mente flutuam na á gua, os cheiros dos frutos e das ervas entram em ti enquanto ficas ocupada a espalhar o fumo na sala onde era costume o buda repousar ou simplesmente ficar no estado de não existência. Preparas o chá o vento bebe-o, a terra também absorve gota a gota o fogo e a á gua do ch á
No jardim de Gautama há uma erva, no mercado da aldeia há um homem que vende dessa erva. Antes de fazeres o exercício da arte do voar tu respiras os seus vapores, ficas imóvel e vês o Gautama a caminhar para ti.
Tu não queres fazer a conversa comum mas a conversa comum, o rio que corre, o sol que brilha, a nuvem que passa, a criança que nasce, a vida a morte. Gautama vai sorrir e os olhos abertos dele vão saudar os teus.
- Bom dia
- Está a chover.
A água e a terra são irmãs.
- Venerável gautama pensas que com a água e a terra posso aprender a formula do voar?
- A capacidade de voar est á em ti, es tu. Voar é reter a natureza nos olhos, é ficar com ela é ir alem dela, é ficar sem exigir nada.
- Hoje estive no mercado, andava por lá um comerciante de chás quando era criança gostava de olhar a cor das folhas e a cor amarela da á gua do ch á recordava-me o rio amarelo e as suas histórias e canções. gostava de adormecer com a cabeça deitada nos seixos e de ouvir o meu irmão mais velho a recitar os mantras enquanto chapinhava nas poças. A água a saltar era o sorriso dele a molhar-me os pés.
- Sabes! A á gua cristalina ó sorriso do Buda das cinco ervas.
- E quem é o Buda das cinco ervas?!

- O Buda das cinco ervas é o comerciante que viste no mercado.
- Mas buda não tem o caminho do negócio.
- Os nomes das coisas são só o nome das coisas, buda tem o caminho da abundância , do negócio prospero do coração, não h á o bom e o mau fruto, nem a boa e a m á árvore, h á o fruto que o teu sabor precisa, h á a á rvore que espera o viajante, o peregrino, o pastor, o negociante, o generoso e o avarento.- Vou preparar um chá- Faz um chá de folha de figueira, tritura bem as folhas, estas devem ficar pequenas como as gotas de chuva, depois fazemos a oração do chá e lemos os salmos do Buda das cinco ervas.- Vou ferver a á gua, olhar a nuvem que se desprende do vapor, talvez apareça no ar o génio do chá dos desejos.
Enquanto preparavas o chá Gautama adormeceu, durante a sua viagem ao inconsciente da natureza ele viu o génio do chá dos desejos. O génio do chá dos desejos tinha as duas partes da natureza. Gautama foi recebido por ele. Na gruta onde morava o génio havia uma mesa e sobre ela um bule de chá. O génio ofereceu ao senhor Gautama o chá do enlouquecer. Gautama sentou-se no chão, segurou uma pequena taça dourada e sorveu de um gole todo o chá depois sorriu, estendeu as mãos ao céu, alcançou uma estrela e pô-la na á gua do chá
Ele viu a noite e os planetas, não sentiu medo nem viu monstros ou com o seu olhar transformou essas criaturas em ilusão. O génio olhou Gautama , depois desapareceu, logo apareceu no monte sagrado e venerou toda a linhagem dos budas, das árvores, dos pássaros s dos homens de todas as cores, de todas as sabedorias e ignorâncias.

Quando Gautama regressou da sua viagem, tu penteavas os cabelos e o vento massajava-te o rosto. No ar havia o aroma ainda quente do chá. Gautama serviu-te uma pequena taça e pôs as folhas de chá nos cabelos. O vento tocava no galho das árvores e parece que saia uma musica suave, o aroma do chá misturado no aroma da musica. Enquanto bebiam o chá, sentiam um silêncio puro. Quando estamos com demasiados pensamentos o ar também fica pesado. Gautama levou os seus olhos ao firmamento dos teus, havia um calor e uma cor diferente do calor do fogo. As palavras não aconteceram, não aconteceram os desejos, o amor aconteceu e nada estava preparado pela vontade do corpo e da mente. Como as raízes se entrelaçam na terra vocês se entrelaçaram. Uniu-se o pequeno coração do corpo ao coração da terra ao coração do universo. Os teus lábios e os lábios de Gautama tocaram-se. A noite chegou tranquila e bebeu os restos de chá que sobrou das taças. Tu e Gautama seguravam nas mãos uma luz, tinham um arco irís que passava das mãos aos olhos.
Moonli continua a exercitar-se no oficio do voar. Moonli é o teu nome, na lingua dos antigos habitantes da montanha a palavra do teu nome significa aquela ou aquele que faz o ritual. quando fores capaz de esvaziares os pensamentos, as tuas riquezas e as espalhares pele terra, tu não possuindo nada, tu não estando sujeita a nenhuma condição ou a nenhuma lei a natureza entra em ti e tu voas. Tocas o céu e a terra. Abraças o pássaro, abraças a árvore, dás-me um abraço forte. Quando me abraças é a tua energia que trabalha o meu ser como as sementes que trabalham cada poro de terra, cada poro da pele. Gautama foi o teu amante espiritual, mais tarde encontraste cabelos compridos, cabelos compridos fazia musica, a musica também é um exercicio que prepara os seres para a magia do voar, com o som é possivel voar, com a vibração das pedras, com a vibração da luz. Cabelos compridos passa muito tempo a tocar citara, a musica da citara é doce como cerejas. Quando Moonli preparava o chá a musica entrava no vapor e eles e as crianças sentiam vontade de dançar. Com a dança nos unimos á força do silencio e á força da palavra, a dança harmoniza a luz e a escuridão. Quando escrevias dançavas, quando pintavas executavas o voo das aves, sentias o esvoaçar das flores no ar na água do chá, na linha dos dedos que adivinham o passado e o futuro, o amor e o trabalho. Vais começar a voar, vai ser preciso que a eternidade entre no teu ser, que o teu ser faça voar o teu corpo com o impulso da memoria que é o impulso da criação, o impulso da arte de criar e de viver, a arte do morrer e do renascer. Quando preparas o chá, quando preparas diferentes variedades, quando sentes os teus olhos a terem a cor do chá diluido na atmosfera tu ficas feliz, pareces uma criança, brincas e no teu faz de conta, na tua profunda imaginação esqueces as palavras sérias e as responsabilidades mundanas. Tu precisas da energia flutuante da vida, concentra-te no teu sorriso, no desabrochar da tua flor. Cada ser tem uma flor guia. As petalas das flores são os diferentes caminhos, os diferentes cheiros que tu inalas e que a floresta inala de ti. Tu, cabelos compridos, as crianças, o Buda Gautama, o espirito que corre no vale, que abençoa cada pedra, que é testemunha dessa magia prodigiosa, dessa pulsação da mãe terra que acompanha a respiração dos bichos, dos homens, de todos os seres, esse ser que medita, que ondula como uma folha na água do chá. Foi com a água do vale que preparas-te a prece para o começo do voar. A tua barriga está a crescer, um pequeno ser voa no teu interior, um pequeno ser que vem de uma gota de energia que desce do céu á terra e se envolve com os elementos, elementos que formam um corpo, uma mente. Tudo será conduzido pelo espirito, a grande alma que não tem principio nem fim, que guarda dentro dela mesma a decisão do bem e do mal.- A montanha elevasse acima dos teus olhos cabelos compridos.- Há muitas luas atrás subi aquela montanha, vi homens que procuravam ouro, estavam cansados e isso via-se no rosto deles, um dos homens perguntou-me onde ficava a aldeia mais próxima, tinha por lá um velho familiar que em tempos tinha trabalhado numa loja de chás provenientes do Paquistão. Ele seleccionava as folhas que eram expostas ao luar. A lua minguante dá sabor e é bom para fazer sonhos tranquilos.- Vem deitar-te comigo- Estou cansado, o meu espirito viajou como a lua cheia que segue as nuvens.- Sabes ler as mensagens das nuvens?- É como ler as palavras da água.- Temos de meditar nas lágrimas de Buda, os agricultores algumas luas antes da colheita visualisam as lágrimas do precioso. A terra será fertil e os frutos abundantes.- O fruto de mim, o fruto da terra que há em mim alimentará o amor, o amor do espirito, do corpo que o recebe e do pensamento que realiza o conhecimento. Longo foi o inverno, cabelos compridos partiu em busca de alimento e de agasalho, levou com ele o moinho das orações. Cabelos compridos não se despediu de moonli. Do outro lado da montanha ficava o mar, no porto de shiva grande era a azafama de pescadores descarregando e salgando o peixe. Durante muitas noites e muitos dias cabelos compridos alimentou-se de raizes e frutos silvestres. A terra foi o chão onde dormiu e antes de se deitar praticou a quinta essência do yoga, cem vezes se prostrou visualizando a roda do samsara, o circulo da morte e do renascimento. Ao longe ouviu-se o uivo frio dos lobos, ouviu-se ao longe o andar do rebanho fazendo rolar as pedras, remexendo a terra, as suas sementes, as suas raízes. Os pés descalços do pastor amaciando o solo selvagem. Levi o pastor andava guardando as suas cabras desde os sete anos. Cabelos compridos sentiu a terra mexer, a cor do céu vestiu os seus olhos e o seu corpo. Durante dez dias apenas bebeu água, alimentou-se do frio que descia do desfiladeiro e dos ruidos invisiveis do fogo que se esconde nas pedras, nas nuvens escuras do céu, no carvão que dorme na garganta do vulcão. Levi atravessou o rio com as suas cabras. Naquele lugar havia o veneno das serpentes e o polen das flores de ópio sobre a planta dos pés da Deusa Maya a Deusa da ilusão, a conselheira dos generais, aquela que presta favores ao mundo material. Levi tinha agora 14 anos, conhecia todas as suas anteriores vidas. Levi atravessou o rio com a arte de quem não se move, com a tecnica da morte. Assim iludiu a senhora da ilusão e as serpentes venenosas. Levi cantou os mantras e namorou a senhora ofertando-lhe o cristal das pedras e o brilho das areias aquecidas pelo sol forte. Levi o pequeno pastor projectou diferentes seres com oigem no seu ego e com o esplendor das riquezas temporarias fez a Deusa Maya tropeçar na sua própria ilusão. Levi o pastor tinha a visão apurada da águia, viu cabelos compridos e telepaticamente falou com ele.- Chamo-me Levi.- Chamo-me cabelos compridos.- Não és um peregrino!- Sim, também sou um caminhante.- Que procuras?- Procuro o grande mar.- Tens ainda muito caminho a percorrer, olha, quando chegares á próxima aldeia pergunta pelo velho Gatso o pescador, quando o encontrares diz-lhe que vens da minha parte, pede-lhe que te ensine a arte da pesca, tu lhe ensinarás as posições do yoga e as mil maneiras de preparar o chá, o sagrado chá que aquece o coração do Buda das cinco ervas.- Como sabes que sei a linguagem do yoga e a arte de preparar o chá?- Escuto o vento e tudo o que o vento sussurra as águas guardam e as árvores da floresta quando o vento lhes sopra a brisa do oceano e as histórias de amor, de raiva, de sobrevivência.Quando Gautama regressou da sua viagem, tu penteavas os cabelos e o vento massajava-te o rosto. No ar havia o aroma ainda quente do chá. Gautama serviu-te uma pequena taça e pôs as folhas de chá nos cabelos. O vento tocava no galho das árvores e parece que saia uma musica suave, o aroma do chá misturado no aroma da musica. Enquanto bebiam o chá, sentiam um silêncio puro. Quando estamos com demasiados pensamentos o ar também fica pesado. Gautama levou os seus olhos ao firmamento dos teus, havia um calor e uma cor diferente do calor do fogo. As palavras não aconteceram, não aconteceram os desejos, o amor aconteceu e nada estava preparado pela vontade do corpo e da mente. Como as raízes se entrelaçam na terra vocês se entrelaçaram. Uniu-se o pequeno coração do corpo ao coração da terra ao coração do universo. Os teus lábios e os lábios de Gautama tocaram-se. A noite chegou tranquila e bebeu os restos de chá que sobrou das taças. Tu e Gautama seguravam nas mãos uma luz, tinham um arco irís que passava das mãos aos olhos.
Moonli continua a exercitar-se no oficio do voar. Moonli é o teu nome, na lingua dos antigos habitantes da montanha a palavra do teu nome significa aquela ou aquele que faz o ritual. quando fores capaz de esvaziares os pensamentos, as tuas riquezas e as espalhares pele terra, tu não possuindo nada, tu não estando sujeita a nenhuma condição ou a nenhuma lei a natureza entra em ti e tu voas. Tocas o céu e a terra. Abraças o pássaro, abraças a árvore, dás-me um abraço forte. Quando me abraças é a tua energia que trabalha o meu ser como as sementes que trabalham cada poro de terra, cada poro da pele. Gautama foi o teu amante espiritual, mais tarde encontraste cabelos compridos, cabelos compridos fazia musica, a musica também é um exercicio que prepara os seres para a magia do voar, com o som é possivel voar, com a vibração das pedras, com a vibração da luz. Cabelos compridos passa muito tempo a tocar citara, a musica da citara é doce como cerejas. Quando Moonli preparava o chá a musica entrava no vapor e eles e as crianças sentiam vontade de dançar. Com a dança nos unimos á força do silencio e á força da palavra, a dança harmoniza a luz e a escuridão. Quando escrevias dançavas, quando pintavas executavas o voo das aves, sentias o esvoaçar das flores no ar na água do chá, na linha dos dedos que adivinham o passado e o futuro, o amor e o trabalho. Vais começar a voar, vai ser preciso que a eternidade entre no teu ser, que o teu ser faça voar o teu corpo com o impulso da memoria que é o impulso da criação, o impulso da arte de criar e de viver, a arte do morrer e do renascer. Quando preparas o chá, quando preparas diferentes variedades, quando sentes os teus olhos a terem a cor do chá diluido na atmosfera tu ficas feliz, pareces uma criança, brincas e no teu faz de conta, na tua profunda imaginação esqueces as palavras sérias e as responsabilidades mundanas. Tu precisas da energia flutuante da vida, concentra-te no teu sorriso, no desabrochar da tua flor. Cada ser tem uma flor guia. As petalas das flores são os diferentes caminhos, os diferentes cheiros que tu inalas e que a floresta inala de ti. Tu, cabelos compridos, as crianças, o Buda Gautama, o espirito que corre no vale, que abençoa cada pedra, que é testemunha dessa magia prodigiosa, dessa pulsação da mãe terra que acompanha a respiração dos bichos, dos homens, de todos os seres, esse ser que medita, que ondula como uma folha na água do chá. Foi com a água do vale que preparas-te a prece para o começo do voar. A tua barriga está a crescer, um pequeno ser voa no teu interior, um pequeno ser que vem de uma gota de energia que desce do céu á terra e se envolve com os elementos, elementos que formam um corpo, uma mente. Tudo será conduzido pelo espirito, a grande alma que não tem principio nem fim, que guarda dentro dela mesma a decisão do bem e do mal.- A montanha elevasse acima dos teus olhos cabelos compridos.- Há muitas luas atrás subi aquela montanha, vi homens que procuravam ouro, estavam cansados e isso via-se no rosto deles, um dos homens perguntou-me onde ficava a aldeia mais próxima, tinha por lá um velho familiar que em tempos tinha trabalhado numa loja de chás provenientes do Paquistão. Ele seleccionava as folhas que eram expostas ao luar. A lua minguante dá sabor e é bom para fazer sonhos tranquilos.- Vem deitar-te comigo- Estou cansado, o meu espirito viajou como a lua cheia que segue as nuvens.- Sabes ler as mensagens das nuvens?- É como ler as palavras da água.- Temos de meditar nas lágrimas de Buda, os agricultores algumas luas antes da colheita visualisam as lágrimas do precioso. A terra será fertil e os frutos abundantes.- O fruto de mim, o fruto da terra que há em mim alimentará o amor, o amor do espirito, do corpo que o recebe e do pensamento que realiza o conhecimento. Longo foi o inverno, cabelos compridos partiu em busca de alimento e de agasalho, levou com ele o moinho das orações. Cabelos compridos não se despediu de moonli. Do outro lado da montanha ficava o mar, no porto de shiva grande era a azafama de pescadores descarregando e salgando o peixe. Durante muitas noites e muitos dias cabelos compridos alimentou-se de raizes e frutos silvestres. A terra foi o chão onde dormiu e antes de se deitar praticou a quinta essência do yoga, cem vezes se prostrou visualizando a roda do samsara, o circulo da morte e do renascimento. Ao longe ouviu-se o uivo frio dos lobos, ouviu-se ao longe o andar do rebanho fazendo rolar as pedras, remexendo a terra, as suas sementes, as suas raízes. Os pés descalços do pastor amaciando o solo selvagem. Levi o pastor andava guardando as suas cabras desde os sete anos. Cabelos compridos sentiu a terra mexer, a cor do céu vestiu os seus olhos e o seu corpo. Durante dez dias apenas bebeu água, alimentou-se do frio que descia do desfiladeiro e dos ruidos invisiveis do fogo que se esconde nas pedras, nas nuvens escuras do céu, no carvão que dorme na garganta do vulcão. Levi atravessou o rio com as suas cabras. Naquele lugar havia o veneno das serpentes e o polen das flores de ópio sobre a planta dos pés da Deusa Maya a Deusa da ilusão, a conselheira dos generais, aquela que presta favores ao mundo material. Levi tinha agora 14 anos, conhecia todas as suas anteriores vidas. Levi atravessou o rio com a arte de quem não se move, com a tecnica da morte. Assim iludiu a senhora da ilusão e as serpentes venenosas. Levi cantou os mantras e namorou a senhora ofertando-lhe o cristal das pedras e o brilho das areias aquecidas pelo sol forte. Levi o pequeno pastor projectou diferentes seres com oigem no seu ego e com o esplendor das riquezas temporarias fez a Deusa Maya tropeçar na sua própria ilusão. Levi o pastor tinha a visão apurada da águia, viu cabelos compridos e telepaticamente falou com ele.- Chamo-me Levi.- Chamo-me cabelos compridos.- Não és um peregrino!- Sim, também sou um caminhante.- Que procuras?- Procuro o grande mar.- Tens ainda muito caminho a percorrer, olha, quando chegares á próxima aldeia pergunta pelo velho Gatso o pescador, quando o encontrares diz-lhe que vens da minha parte, pede-lhe que te ensine a arte da pesca, tu lhe ensinarás as posições do yoga e as mil maneiras de preparar o chá, o sagrado chá que aquece o coração do Buda das cinco ervas.- Como sabes que sei a linguagem do yoga e a arte de preparar o chá?- Escuto o vento e tudo o que o vento sussurra as águas guardam e as árvores da floresta quando o vento lhes sopra a brisa do oceano e as histórias de amor, de raiva, de sobrevivência.- Vamonos encontrar?
- Em breve.
cabelos compridos chegou de noite á pequena aldeia de patcha- luna. A casa do velho Gatso era forrada com argila e o telhado coberto de palha. Gatso o pescador estava á porta de casa consertando a sua velha rede de pesca. Cabelos compridos aproximou-se dele
- Venho da parte do jovem Levi.
- Falas-te com ele?
- Falámos telepaticamente.
- Que me queres?!
- Aprender a arte da pesca.
- Tens de treinar a paciencia.
- Podes ensinar-me…
- O próprio mar te vai ensinar, a floresta, a montanha, o dia e a noite tem muito para te ensinar.
- E tu?
- Eu estou velho, a unica mestra que me pode ensinar é a morte.
- Aprendemos todos com ela sobre o renascer.
- Vejo que estás cansado e com fome, em cima da mesa há uma tijela com caldo de peixe.
- Vou comer um pouco e deitar-me.
Cabelos compridos foi acordado pelo ruido do vento. O mar estava eriçado, parece que tinha a furia dos homens em guerra, parecia que tinha dentro dele um coração a bater acelarado. Cabelos compridos passou algum tempo observando o velho Gatso construindo e consertando as redes. A primeira aprendizagem foi o treino dos olhos, os olhos e a mente treinadosno oficio da atenção. Cabelos compridos tinha de conhecer o mar, conhecer-se a ele próprio, o seu conflito interior era sentir-se dividido não obstante ser a parte e ser o todo. Cabelos compridos e o velho Gatso partiram numa manhã que era o dia do aniversário do Buda Shakamuni o senhor das forças. Foram muitos meses de mar, meses de tentar não lembrar aqueles que deixamos em terra. O mar testava os nossos apegos, a nossa resistencia. Em forma de doença a morte se escondeu no corpo de cabelos compridos. Cabelos compridos parecia que tinha mil demónios dentro dele. O velho Gatso entoo o mantra da levitação e com o poder vibratório desse mantra flutuou sobre a espuma e sobre as mãos invisíveis do Sr shakamuni aquele que conhece a profundidade e a escuridão, a luz e a superficie. Durante quarenta dias cabelos compridos ficou cego. A sua cegueira foram os seus desejos os seus pensamentos de luxuria. Esses pensamentos não eram sua essência. Maya a senhora da ilusão era a sua mestra. Na natureza tudo pode ser o nosso mestre. A flor que desabrocha e o raio que fulmina.
O velho Gatso pousou sobre a sombra de cabelos compridos, uma sombra escura, fatalmente escura deu lugar a um foco amplo de luz.
- A febre baixou
- Que me aconteceu?
- Entras-te no reino dos demónios.
- Quem me salvou?
- Ninguém, tu próprio sais-te da escuridão, quanto mais te dividias mais nas trevas penetravas. Quando tomas-te consciencia que a causa da tua ignorância, que a causa do teu medo estava em ti reconciliaste-te com os teus demónios e eles copnverteram-se no Deus supremo que há em ti.
- Mas disses-te que entrei no reino das trevas…
- Os medos que a tua mente guarda são uma porta que recebe todos os lixos, o medo é uma porta que que se fecha, quando abres essa porta esse lixo sai. Através de ti aprendo a arte do yoga.
- Aprendes comigo a arte do yoga?
- É verdade.
- Como pudeste aprender com o meu medo, com a minha insegurança.
- Com a divisão descobresse a unidade, com o medo a ter-se cuidado e com a incerteza a reflexão.
- Mas…
Tu não vences os teus medos se lutas com eles, essa é uma luta inutil. Tu aceitaste-os, tu transcendeste-os.
- Penso que o mar me lê o pensamento, ele sabe que não há tempestade em mim.
- Ele aceita a tua fúria, a tua calma. Tu foste guiado até mim para que eu pudesse partir.
- Aonde vais?
- Vou deixar o meu corpo
- Vais morrer?
- Como as lágrimas saiem dos olhos o espírito sai do corpo.
- E quando é que isso vai acontecer?
- Quando me esqueceres. A morte chega quando nos esquecemos de alguém.
- Não me consigo esquecer de ti.
- O que a tua mente esquece o teu coração guarda.

Numa noite de profundo silêncio em que ele cabelos compridos estava calado como se não houvesse dentro dele pensamentos e dentro dele fosse uma folha a flutuar e a subir até desaparecer do horizonte, o velho Gatso deixou o corpo. Agora tens de esquecer, qualquer recordação é um iman que puxa as almas ao mundo dos desejos, ao mundo fisico dos apegos e das paixões. Cada ser tem de seguir o seu caminho, fazer a sua vontade. Acende um pau de incensso, depois lança o corpo dele ao mar…

 
lobo
Posted by relogiodesacertado at 12:56:37 | Permalink | No Comments »

Tuesday, November 28, 2006

vontade de lavar os olhos dela

O rapaz lava os vidros mas sente vontade de lavar os olhos daquela  que passa num modo de desfilar com a cabeça nas nuvens, ela um dia podia ser parte do seu mundo, da sua aventura adolescente. Assim passa o tempo e ele desliza os olhos nas pernas de seda da jovem senhora, e voa como um pássaro, como um morcego louco, que adivinha todos os pensamentos dentro do vestido negro da sua bruxa gótica.

 

lobo 06

Posted by relogiodesacertado at 13:57:14 | Permalink | No Comments »

Monday, November 27, 2006

Há um vento forte para te empurrar

poemas para as mulheres que encontrei

Para a Francesca de Bergamo.

 

Não sei se há um vento forte

para te empurrar.

 

Não sei se é possível despertar pássaros

e fazer os poetas voar.

 

Não tenho mais versos

nem mapas para mostrar caminhos.

Mas tenho esta sensação feliz de te olhar

e ficar sem precisar de mais nada.

Um rio

uma flor e os teus olhos que me olham

como um anjo abandonado na rua.

Não sei se há um vento forte para te empurrar

mas há as canções que oiço de longe.

Um rio

uma flor e os teus olhos

que me olham como um anjo abandonado na rua

 

lobo 06

Posted by relogiodesacertado at 17:00:40 | Permalink | No Comments »

Friday, November 24, 2006

Não se esgota o calor do teu corpo

Estás triste, não queres que saibam mas estás mesmo triste. Escondes isso quando escreves no teu diário. Ontem chovia, vi-te a fugir com a música estridente, mudas de roupa dez  vezes ao dia e de maquiagem. Pergunto-te se tomas ácidos, parece que não fazem efeito. Estás triste, parece que passas a vida a gritar com a tua mãe. Ontem sonhas-te que o teu pai te segurava na mão, fumas-te com ele um cachimbo de erva, o teu pai não era um indio, apareceu-te somente para te divertir, deve ter sido tudo uma ilusão. Queres escrever uma carta, sei que faço parte da tua imaginação, tu és o amor que eu preciso, preciso de acordar ao teu lado e sentir que os teus olhos um sol muito forte sobre mim. Estás triste, não vais começar a chorar. Porque odeias a tua mãe, porque lhe bates como costumas bater no rádio velho de valvulas, não consegues amar a  tua mãe e a tua mãe julga que tu a estás sempre a matar como se ela quizesse o negócio da tua vida. Vai apanhar ar, não desesperes, desculpa mas pareces uma velha triste, assim vais acabar na ilha dos teus proprios pensamentos. Vai! começa a fugir, não precisas de te comprometer com nada, nem com ninguém. Repete muitas vezes para contigo mesma que não se esgota o calor do teu corpo, o sorriso da tua boca. Ficarmos deprimidos acontece, é assim porque se existe, não podemos fazer que não existimos, mas se começares a dançar, se eu bater duas pedras uma na outra ou se experimentares tocar flauta, assim fogem os ratos. Tenho buracos no queijo do meu subconsciente. Olha-me nos olhos! Gostas de mim? Sabes rir, estás triste mas acredito que sabes rir, se fizeres força consegues rir, és capaz de rir mesmo que estejas a morrer, mesmo depois de morreres. Tens de te importar contigo, põe as mãos na água do mar, há alguem que se interessa por ti, quanto menos atenção prestares á tua pessoa mais o interesse de alguem te puxara a pele. Estás triste e isso tem uma certa compreensão , uma certa musica, aquela afinação existencial. Estás assim e estás de modo algum. Olha-me nos olhos tempo de fugir e céu azul

lobo

 

Posted by relogiodesacertado at 15:36:34 | Permalink | No Comments »

Percorro estas ruas, olho-te e murmuro: - A morte cheira a mijo, e depois tu concentras o olhar no céu, seguras as minhas mãos e exclamas: - Os velhos tem os olhos vazios.

- Sim os velhos e as crianças… mas como podemos lidar com esta impotencia?! Esse vazio é um código, as crianças e os velhos dominam esse medo aparentemente. Ela mexeu os cabelos com os dedos, perguntou-me de que medo falava eu? Pode ser o medo de eles se desvendarem, quando não existem segredos não há truques para se lutar contra um destino inevitavel.

- Não há um acontecer exacto das coisas replicou ela. as crianças e os velhos ou construiram uma monstruosidade  ou perderam a fé.

Está frio, amanhã não me vou apresentar ao trabalho, aquela fábrica quer a minha liberdade, quer pagar-me a submissão, julgo que os que lá trabalham não tem sonhos ou os sonhos que eles tem são aquelas canções que eles ouvem, aqueles enrredos que lhes provocam o choro.

Se agora no meio da minha existência surgisse um barco, surgisse a força  de decidir chegar á compreensão, vocês, os que trabalham nessa fábrica  pensem se faz sentido trabalhar para matar a vida das nossas esperanças, dos nossos ideais. por um lado a organização do trabalho assenta na anulação, de seguida tenta compensar com a promessa de um conforto temporário, com a disputa material, os melhores e os piores. A vida não é só ter um corpo que se mexe, não é só a vontade resumida a uma acção de produzir, de procriar, de negociar, de ficar numa congelação inutil e doméstica, abrir os olhos e eles não servirem para nada. Vocês trabalhadores dessa fábrica, que vivem essa dor extrema baseada na mentira de que o voss fogo está apagado, a vossa vida, a vossa razão de ser com toda a plenitude e vontade, a liberdade de uma alma que escolhe a importancia de saber querer dentro de si, de fazer a sua acção, a sua própria causa. Eles naquela fábrica estão morrendo, o patrão que tem um carro de luxo, o actor o duplo, a modelo cheia de glória e fama está morrendo; quem vos está matando é a religião, foi sempre ela que vos guiou nesse caminho, quanto mais pobres de consciencia mais diminui o super homem da vossa natureza. Agora tenho muita vontade de viver, gostaria de ter dito a um certo rapaz que se vestia de negro que o amor é a nossa familia, que por uma comodidade egoista a não escolhemos, mas eu não cheguei a tempo, ninguém ainda percebe, nem ele o pobre rapaz que era preciso desfazer os nós, fazer sentido de todos os limites, de todas as feridas e fazer com a motivação do esforço uma alegria grande dessas de surpreender a existencia. O rapaz numa tarde de uma vida por resolver, resolveu por o pescoço na corda da falsa vida, eram cinco horas da tarde quando o pai o encontrou de olhos vazios como um céu sem estrelas.  Escutei de quem estava presente no velório de que nada lhe faltava, tinha tudo e tudo não chegava e tudo era uma montanha de ouro futil. O pai do rapaz era um óperario como o são vocês os que trabalham nessa fábrica, ele tão pobre, tão bem aparentado, tão bem vestido nas suas roupas de domingo, na sua limpa religiosidade, tão concentrado e bem intencionado nos seus valores  convencidamente perfeitos que não os conseguimos respirar, e do fundo do eco do meu peito sai este grito, um apelo aos olhos e ás mãos para que olhem e toquem com aquela atenção que não é de se chegar e não se ficar perto. E tu pobre rapaz não viste que se as tuas mãos foram capazes de puxar a corda, eram capazes de puxar a vida. tu tinhas o poder de realizares o teu ser mas tu ficaste com os ouvidos cheios, a tua familia tinha os teus projectos, as tuas ambições, não perceberam que tu precisavas de amor e nem tu percebeste que também eles queriam que tivesses uma cama quente, a comida no prato e uma profissão segura, não percebeste a falta de amor, o desespero deles na tentativa que não ficasses pobre e tu estavas mesmo pobre, de uma cegueira e de um egoismo tais que não olhas-te a musica que havia ao redor, os livros nas montras, as crianças, o vento nos cabelos delas, não viste que havia cheiros, silencios… Agora esse teu corpo morto anda por essa fábrica, voltas-te ao passado ao tempo em que os teus pais trabalhavam lá, repara nos olhos deles no esforço que não fizeram para ver um pássaro voar

lobo 06

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Thursday, November 23, 2006

A nossa vocação é a palavra

A nossa vocação é a palavra. Não é a agricultura, não são os pastos enlameados, não é o ofício das armas, não são os animais bravos. A nossa vocação é a palavra, a criativa e nua palavra apimentada das peixeiras, a palavra arrotada e bruta dos taberneiros e da ralé popular. A nossa vocação, a nossa figura de estilo é fazer politica com o cómico e cinematográfico que a desgraça publica patrocina aos que desejam fazer carreira nas ilustres instituições da nação. Não somos conhecidos no mundo pela arte, somos talvez conhecidos por um homem que era muitos homens, que escrevia o ser português com a incoerência suprema de não saber o que é ser português e isso escrito em poesia causa espanto a qualquer estrangeiro. Mas nós não somos grandes na nossa pintura?! Não temos pomares e Cargaleiros azulejados no gosto empresarial, nós Temos grandes plásticos, grandes senhores do teatro, cantores, apresentadores, encantadores e manipuladores. Somos grandes consumidores de cerveja, consumidores de tremoços, batemos recordes a descascar o tremoço pobre da nossa vidinha cheia de sede. Toda a gente no estrangeiro conhece Camões, há quem pense que era o doutor oftalmologista do velho Adamastor. E os nossos arquitectos, o Taveira criou uma simbiose entre a arquitectura e a pornografia, fazer casas é como dar quecas. Não pensem que isto é dizer mal, nós temos um gajo que se chama Saramago, que ganhou o premio Nobel, que vive numa ilha em Espanha e que nasceu num pais onde há mais analfabetos que galinhas. Nós somos o País com mais tias por metro quadrado. Somos muito doces, muito cheirosos, não nos falta nada e se alguma coisa nos falta no dia em que não nos faltar ficaremos ainda mais pobres, sem espaço para nos coçarmos.
Lobo 05
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a água que posso imaginar na ideia do desejo que tenho de ti

Atravesso o rio, as paredes de água e a sede do teu corpo, a tua cidade onde da janela me chamas e o meu pensamento anda sempre em viagem e os pássaros levam em viagem a minha vontade de ir a outros lugares. Estou mais a teu lado quando me afasto da tua presença e trago de volta o paraiso ao teu corpo. Atravesso a água e bebo toda a água que posso imaginar na ideia do desejo que tenho de ti. O meu pensamento anda sempre em viagem, canto as canções que não me pertencem e tu pertences-me nessas canções que canto e nessas paisagens que ficam dentro de mim quando fecho os olhos e as faço desaparecer. A tua cidade chama-me e tu tambem quando o fazes me continuas a iluminarl lobo 05

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