Saturday, October 14, 2006

Carregas no corpo todas as canções

Carregas no corpo todas as canções

um dia voltarás á terra no modo simples

de quem regressa á primeira condição.

 

carregas no corpo todas as canções

dentro de ti corre a transparente água

e um dia voltarás ao estado ausente das palavras.

 

Carregas no corpo todas as canções

e eu olho os teus olhos

depois adormeço

numa viagem de regresso á margem

das palavras com água.

 

lobo 06

Posted by relogiodesacertado in 16:01:55 | Permalink | No Comments »

A poesia é um livro com fome

Tu vens dentro do meu corpo e eu olho a cidade com os seus filmes burgueses e as suas comedias vagabundas.

A poesia è um livro com fome

melhor nao ter palavras que ter palavras falsas.

Tu vens dentro do meu corpo e eu estava olhando o mar e os navios que cruzam a paisagem dos olhos.

Tu es uma cigana pintada de musica e de terra escura.

A poesia e um livro com fome

mas deste modo se faz a cançao mais bonita da justiça e da liberdade.

 

Tu vens dentro do meu corpo e olhas os burgueses e os vendedores de vinho na praça de granada.

 

A poesia  e um livro com fome…

 

Tu chegas-te tarde depois leste-me o manifesto da naturesa.

 

lobo. 06 escrito em chieti italia

Posted by relogiodesacertado in 15:56:54 | Permalink | No Comments »

Antes de eu adormecer

Antes de eu adormecer

hei-de deitar-te flores nos olhos

Hei-de seguir aquela estrela e sentir como minha a tua solidão.

Antes de adormecer hei-de falar-te do amor e daquela canção que te protege da tristeza e da fome.

Hei-de seguir aquela estrela e sentir como minha a luz da tua palavra.

Antes de adormecer hei-de deixar o meu pensamento viajar e todo o teu corpo será um lugar, uma paisagem onde faz calor e frio, onde faz tempestade depois do silencio.

Antes de adormecer hei-de deitar-te flores nos olhos

Hei-de seguir aquela estrela e sentir como minha a tua solidão

E hei-de falar-te do amor e daquela canção que te protege do amor e da fome.

lobo 06

Posted by relogiodesacertado in 15:53:04 | Permalink | No Comments »

podes perguntar-me sobre o silencio

Podes perguntar-me sobre o silêncio que despe as casas e que permanece á porta como se ele se despedisse dos homens que ficam no cais. Trazes os cabelos ao vento, esperei por ti. Antes do decisivo encontro a memoria estava antes da palavra e a memória era o fogo conjugado entre a dor profunda e a maresia. Tu não sabes que tens os olhos escuros como a terra, não saber é ser inocentemente poeta e é estar completo com a natureza, mas todas as definições nos poem mais próximo da morte. Podes perguntar-me sobre o rio e sobre os animais que sangram e sobre os burgueses, nós escondemo-nos atrás dos livros e dos palcos, atrás do orgulho do trabalho que temos e da família que integramos, nós escondemos a nossa alma, a nossa consciencia numa fabricação de palavras e de magias falsas. Podes perguntar-me sobre aqueles que vomitam e que atrás do vomito vem a rejeição do mundo, podes perguntar-me sobre a solidão e eu te digo que a construção do homem e do caminho, que a direcção das tuas mãos e dos teus olhos… preciso de te dar um abraço, de aquecer o mundo ou aquela parte dentro de ti em que navegamos e em que nos perdemos. Podes perguntar-me sobre a luz que cega e sobre a escuridão que desperta. Tu estás nua e assim reflectes o meu rosto como se eu me olha-se na água do rio e te atravessa-se de paixão absoluta. Não é a luz que cega nem é a escuridão que desperta, a minha lingua na tua boca sabe ao sal da terra. Podes perguntar sobre a sede que domina a terra, sobre os cavalos que te galopam o peito e de novo a respeito do rio que te sonha quando o homem te rejeita. Podes perguntar sobre o silencio que despe as casa e que espera os homens que tardam em existir

 

lobo 06

Posted by relogiodesacertado in 11:23:39 | Permalink | Comments Off