Sunday, October 22, 2006
para a laura
para a laura.
Escureceram os olhos
dos pássaros de Milão.
Num sonho que não lembro apertei a tua mão. Sem medo consegui voar e assim não foram precisos pactos para a liberdade dos homens.
Escureceram os olhos dos pássaros do céu de milão e houve um pássaro que veio buscar chuva aos teus olhos para abençoar a intimidade dos quartos e dos jardinns.
Sem medo consegui voar e assim não foram precisos pactos para a liberdade dos homens.
lobo 06
Gatos entre páginas
o nosso amor vai ter de acabar! Estas foram as suas palavras, havia nelas uma entoação triste. ela perguntou-me o que pensava eu da maldade humana? Não tenho respostas para me vestir, fica a saber que eu não sou uma m á quina, não serve de nada ficar na margem e não ter uma onda forte, também preciso de quem leia o meu grito. O amor tem a porta aberta ou o amor é a direcção que eu ainda não tenho. Quero muito aprender, não faz mal se tu renunciares, há muito tempo que preciso de renunciar a certos gostos que não me ficam na lingua que isso me vai fazer sentir mais em união. Existem os paraisos do engano, os que proclamam a verdade absoluta ou o amor eterno, afirmar que não nos vamos perder, que tudo est á garantido… e que espaço ainda fica para sermos livres, vai embora, ter-te conhecido foi uma armadilha, ameaçaram-me de morte e eu sei agora que a solidão é uma protecção, fica longe, não quero mais os teus gatos e os teus anjos, vou subir na á rvore e ficar anónimo. Regressei ao meu estado solit á rio, as linhas que escrevo não são para ti. Olho as mães que levam as crianças á creche e que as esquecem. Cheira a pão e a pneus queimados. Penso na colorida praça de palermo e nos juizes mortos pela mafia, há criminosos mortos sem distinção. Vai-te embora, não sou o cristo das tuas visões… não vou deixar que me leves á praça publica, agora vou ficar tomando atenção ao ceu. Oiço o galo cantar e em procissão passa o meu corpo e eu sigo o meu corpo e o vento que lhe sopra. A rapariga do cinema est á no cortejo, tudo parece um filme, sou um ser anónimo e é uma sensação sem definição certa. Vou sentar-me no chão, por mim passa o homem cego e o cão, passa uma fila de ciclistas e as mulheres da vida perfiladas no passeio, não quero saber de nada, não h á nada pior que um crime misturado com a chuva, voltar a nascer tem de ser uma coisa muito bem pensada, é melhor ficar por aqui, não pretendo ficar conhecido, a minha fotografia no jornal não gostaria de ver, sou um ser invisivel, hei-de ter o meu lugar na rua e na mesa, hei-de ter o meu lugar nos sonhos e nas aspirações. Vou merecer um amor digno… Nos dias em que não apetece vou deixar-me ir. A poesia acontece assim, fria como um fio de navalha. É possivel fugir, voce quer resolver esse enigma, não causa espanto a sujidade dessas almas. Como são pobres os que habitam a aldeia do lugar comum. É verdade que uma pessoa nunca se prepara e por isso a morte chega sem avisar. Nós somos como as vacas levadas ao matadouro, no momento em que descobrimos o melhor pasto h á de haver uma faca a esquartejar-nos. Você insiste na mesma pergunta: Se acredito no amor, o amor é como o gato que pode cair do telhado. Olhe parece que inventei um proverbio, fique sabendo que as minhas duvidas são do tamanho de um monte de palha, você acende um fosforo e arde tudo. Estou confuso, sento-me de olhos para si e não sei como começar. O seu fato preto intimida-me. Quer que exponha o meu problema, não sei se é de interesse a parte dos anjos, dos gatos , das serpentes e dos roedores. Tudo começou á s dez horas. O céu estava azul, isso não condiz com o meu estado clinico no entanto quero enfatizar que o céu estava azul e que o dia da semana era um sabado consagrado ao descanso.
Sabe uma coisa?! Querem matar-me. Não é o amor impossivel que me doi, o que me doi é não saber se faz sentido.
Se quer acender o cigarro faça como entender. Se o fumo me incomodar posso escolher outro ponto no mapa. Se eu me levantar, abrir a porta e sair fica tudo na mesma. Se voce fosse filosofo nao o tratava deste modo formal, contava-lhe as partes medonhas e estranhas do meu percursso de vida, contava-lhe de uma maneira metaforica como è que uma mulher esquizofrenica lançou a serpente a meus pes. Quer saber se eu gosto dos pobres? Agora não há pessoas a fazer os próprios sonhos. Não vejo verdadeiro amor, é tudo a multiplicar. Uma casa, um carro, uma televisã com uma boca cheia de sangue a entrar nos olhos dos pobres, ela deu poder aos pobres e o poder dos pobres é mediocridade.
Que vê da sua janela?
Casas de betão… muitos metros de estrada… e você sabe quem mandou construir tudo isto?
Não acredita que foi um pobre! Os pobres não são todos iguais, não vestem todos o mesmo fato. Este é o mundo dos roedores. A questão não se põe de que lado estou. Gostaria de mudar todo este enrredo. porque me olha desse modo inquiridor? Sim é verdade que andei no ar… como este amor não se concretizou não cheguei a voar. Porque lhe falo por metáforas?! Não o devia fazer… mas o que já sabe é que me querem matar, pois a vida quer matar-nos todos os dias, nós não temos as sete vidas dos gatos e o amor é uma faca longa, viramos ao contrário e fingimos que é uma flor. Sim eu sei que o sol está a apagar-se. É a minha oportunidade de fugir. Também eu sou um gato entre páginas. lobo 06
Saturday, October 21, 2006
um mar para a revolta
Não aconteceu nada… nem eu no espelho nem tu do outro lado.Cada um de nós tem a sua margem, as minhas lágrimas são as minhas lágrimas e tu tens a tua vida, tens o sorriso que tens. Não sou indiferente só não fico a guardar uma canção demasiado tempo na garganta.
Não aconteceu nada, nem eu tenho poesia, nem tu precisas de acender o candeeiro para me leres, ocupas melhor os olhos lendo as nuvens, lendo as mãos de um qualquer vagabundo.
Não aconteceu nada, não tenho vinho para encher o copo, nem palavras para as conversas sociais.
Ficamos apenastu desse lado e eu deste. Tu tens um gato para acariciar eu um mar selvagem para a revolta. Espero que o meu mar não te arranhe e que o teu gato não me afogue.
lobo
quando no cais dos olhos se navega
Há pássaros guerrilheiros nascidos da chuva e do desespero. Quando fechas os olhos parece uma lua escura em volta das fogueiras apagadas de canções. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é uma bala que nos mata. Há pássaros guerrilheiros que cantam o poder da primavera e cheiram ás flores do desespero, aventura louca e desenfreada do amor. Agora fechas os olhos e é para que a noite adormeça na margem do silêncio ao pé da água. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é um olhar que nos trespassa quando no cais dos olhos se navega.
lobo 05
Estou deste lado
Estou deste lado e olho um bicho invisivel que desce o rio, parece que a noite que me sacode o corpo é esse rio que desce o meu subconsciente. E eu fico deste lado a olhar-me, parece que sou duas partes e tantas vezes parece que não sou parte nenhuma. Ma é possivel que eu esteja flutuando num fio de luz, talvez eu habite o planeta louco das incertezas humanas, de outro modo que orça encontraria para o poema ou para ter os meus braços no teu peito aspero como tronco de árvore. Estou deste lado e vejo aquele lado em que o relógio me fere os olhos, parece que não há o tempo perdido do amor e muito provavelmente o tempo é um chocolate derretido adormecido ao sol. E tu que podias ser supostamente a lenda que mora na minha secreta árvore e não sei se nela estão pensamentos ou desejos, pois que se eu tivesse pensamentos e desejos o meu amor seria pequeno e eu já não estaria dentro dessa natureza caracteristica das árvores e das lendas. Estou deste lado e olho uma gota de água e não sei se isso são as tuas lágrimas! Se eu soubesse a história dessa gota, se apenas numa gota se resumisse o mundo ou se nós fossemos aquela noticia da rádio em que a morte se apoderou da nossa paixão no velho quarto de hotel. Estou deste lado, olho dentro da tua blusa e vejo o bicho invisivel, há olhos que parecem bichos grandes. Uma sensação que o teu corpo me provoca…
lobo o6
No tempo do antes
no tempo do antes
No tempo do antes, ainda muito antes do nascer do mundo e do existir do homem parece que a unica coisa com vida era um piano de cauda. O Deus parece ter-se inspirado para a sua vontade de criaçao, soprando nas sete notas, criando esse poder de fazer e separar as àguas. viu ele que havia melodia e com o ritmo encheu os lagos, os rios e os mares de peixes e outros aparentados, depois tocou o rè e o dò assim sucessivamente como criança saltando de pedra em pedra. Fez macho e femea, sensuais e elegantes como uma clave de sol, depois pediu que as suas criaturas fechassem os olhos, assim ficou de noite, uma noite tao intima de tao escura. O Deus imaginou que o mi era erva a crescer e o sol uma àrvore a pingar de frutos. Nesse tempo, no tempo do antes pensou ele em compor uma cançao e do verbo fez um anjo, um anjo que dançava e que com as suas asas sacudiu uma pequena nuvem que por ser fragil sentiu uma dor de ficar chuva, assim se pode explicar o sofrimento do mundo. Adao e Eva os habitantes daquele jardim correram para se abrigar na densa folhagem da arvore da sabedoria. Rastejando pelos costados de seu tronco ia a serpente considerada o desafinador de criaçoes. Por causa daquela chuva torrencial o piano de cauda tinha apodrecido e eles homem e mulher tinham que ir às vida, serrar madeira, fazer um grande piano de cauda e encontrar alguèm que caminhando nas suas teclas junta-se de novo o primeiro som e a primeira origem da àgua ser àgua e o cèu ser cèu e o amor andar a fermentar poesias e satisfaçoes. Passaram jà muitos milhares, milhoes de anos, homem e mulher trabalharam mais o ferro, fizeram tanques de guerra, coroas para coroar reis, espadas para decepar suas raizes de irmandade. Deus continua à espera de um piano de cauda e o mundo è ainda uma serpente e um desafinador de criaçoes.
lobo 03
Friday, October 20, 2006
Se eu me perdesse no teu rosto
Se eu me perdesse no teu rosto
se as nossas mãos inventassem outra prece
outro sabor para a água
outro culto para fazer a descoberta do sexo
que nós segredamos á noite como se ela fosse nossa parente
lobo 06
Tenho o sol a derreter-me nas mãos
para a Nina
Tenho o sol a derreter-me nas mãos e nas tuas palavras e nos teus gestos e nos teus livros e nas tuas viagens e no corpo dos homens e no tronco das árvores a tua alma receberá a sombra a tua alma voará.
Limpa as lágrimas ao rosto do vento.
tenho o sol a derreter-me nas mãos
depois alguem entrará em ti pelo caminho do mar.
Limpa as lágrimas ao mundo
aos homens que fazem a guerra
aqueles que sobrepoem a fome á poesia.
E nas tuas palavras e nos teus gestos e nos teus livros e nas tuas viagens e no corpo dos homens e no tronco das árvores a tua alma receberá a sombra a tua alma voará.
lobo 06
Thursday, October 19, 2006
O lugar onde pões os olhos, encontrar uma história exacta, a palavra que mexa o fogo ou que fique na solidão do próprio sonho enquanto dormimos.
Esse lugar onde pões os olhos
essa memória, a chuva sobre o ferro e sobre a pedra.
O lugar onde pões os olhos
o universo sobre o peito
e a musica sobre a água e sobre a pele.
Esse lugar onde pões os olhos
onde vestes a terra
da tua própria sombra
lobo