Sunday, October 22, 2006

Uma certa e razoável sujidade do amor

No encanto das coisas há implicito uma certa sujidade, uma certa sujidade da vida, uma certa e rázoavel sujidade do amor. O encanto das coisas é elas não estarem submetidas a pactos. Há no trabalho da reprodução da natureza uma sujidade legitima. O encanto das coisas é elas terem um misto de podre e de fresco. O encanto dos homens e das ruas, o encanto dos olhos e o encanto do coração é haver uma certa sujidade dos costumes. A imoralidade das palavras, a navegação dos dias, a ausência do tempo na suja ocupação da inutilidade dos poetas. A inutilidade de tudo é o sentido para não se invadir, para não se violar a tranquilidade dos pássaros e das árvores e das nuvens que passam no céu e que passam na admiração dos peixes e que estão no despertar e no adormecer. O encanto das coisas é elas terem a morte. A morte é a vida a sujar-se e o nosso renascer é um grito sujo, tão sujo como um rufar de tambores, tão sujo como uma paixão selvagem, um modo sujo de andar de crescer. O encanto das coisas não é elas terem fogo ou elas terem água. Não é o encanto das coisas haver solidão nas casas e cinza nos borralhos para santificar a agilidade dos gatos. O encanto das coisas é a contradição entre as mãos e os pensamentos. Na cinza do borralho a agilidade dos pensamentos. O encanto sujo das coisas é elas perderem o sentido de rumo absoluto. O sujo encanto das coisas é haver quem derrube muros, quem derrube leis. O encanto das coisas é a profunda liberdade dos seres, sujar é o modo limpo de perder o medo de se tocar a natureza. lobo 05
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para a laura

para a laura.

 

Escureceram os olhos

dos pássaros de Milão.

Num sonho que não lembro apertei a tua mão. Sem medo consegui voar e assim não foram precisos pactos para a liberdade dos homens.

Escureceram os olhos dos pássaros do céu de milão e houve um pássaro que veio buscar chuva aos teus olhos para abençoar a intimidade dos quartos e dos jardinns.

Sem medo consegui voar e assim não foram precisos pactos para a liberdade dos homens.

lobo 06

 

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Gatos entre páginas

De repente estalas os dedos e aparece um gato, não parece ter sido assim que apareceu o mundo, mas acredito que cada um tenha uma fórmula pessoal e credivel para fazer surgir do nada ou do que se julgue mais insignificante um mistério ou algo tão prodigioso como um dia de chuva num domingo incolor. Que faria um gato num dia de chuva saido dos teus dedos tremulos andando aos zigzagues na folha amarrotada? Sabes que essas criaturas andam nos telhados, cada um tem o corpo que o destino lhe deu ou a habilidade que mais se ajuste ao circo da vida. Há quanto tempo andas instavel, sabes o motivo que faz os gatos e os ratos e as serpentes sacudirem as pedras e tentarem aparecer no sonho dos homens? Não sabes… é estupido o que vais dizer, não acreditares no amor porque o vento levou todas as pétalas da tua flor, um caminho de espinhos parece um limite incontornavél mas se olhares o teu sorriso quanta porção de coisas importantes escondes, quanta mentira impões á tua natureza. Não creio que seja a serpente que mata, és tu que o fazes porque não sabes habitar o seu mundo, não tomas cuidado até onde podes ir e a todo o lado podes ir com precaução. A tua fantazia, toda ela dentro de uma chavena de chá, não julguem que o trabalho dos pintores, artistas e contadores de histórias, não é uma coisa séria e respeitavel, são estas coisas que fazem com que o homem não imite o leão que devora o veado. Não está comprovado se o leão come o veado por ter fome ou por não o suportar. A filosofia não é um pacote de bolachas, enquanto rezavas apareceu o gato a espreitar sorrateiramente da cortina, os gatos das folhas de papel sabem rezar, e tu abres a boca como se o mundo tivesse sido criado com espanto, que surpresas nos reservam o mundo animal, imaginas as nações unidas dos ruminantes, dos roedores, dos abutres, não sei se o mundo assim fica mais lógico mas também assim como está precisa de concerto. Mostra-me as tuas mãos, olho-as como se me olhasse a um espelho e me quizesse certificar da minha aparencia, para cada situação uma respiração, uma roupa, somos todos loucos, todos fingimos um papel, precisamos de uma certa quantidade de ego para que não seja demasiado caotica a nossa existência. Vou afirmar mais uma vez que gosto dos teus gatos, parecem-se muito aos gatos de um certo pintor catalão, gatos infantis que andam á chuva e se são pretos parece que os vamos encontrar na guerra ou no funeral da nossa avó. Tu deixas-te cair para trás, lembro-me desse exercicio teatral, tu tocavas-me o rosto, escrevias-me no rosto muito suavemente e na sala a musica do filme e a mulher de todos os homens e os homens conservadores a tentar boa impressão com a entoação banal do amor livre. Apanho-te a conversar com um gato, os dois sentados numa cadeira de palha, gostas de xadrez e de um charuto depois do jantar, estas comodidades muito bem imaginadas graças ao esforço que a pobreza provoca na nossa capacidade empreendedora. Aquele pintor que como tu, pinta estrelas e gatos e que põe bailarinas e poetas afogados no azul e no amarelo ele que vagueia ainda nas ruas, que se tranforma em sete vidas, em tantas cores, muitas perguntas, tantas que vai ser dificil voar… não chores, repara no gato que está ao teu colo, podes fingir que tens a existência sentada ao teu colo, ajoelha-te e pede-lhe perdão pelos teus pecados, não permitas que a dor te tape os olhos, o sofrimento não é uma diversão, não estás na lista de espera para trabalhares como um santo no céu. Não estás no céu, nem estás numa pastelaria a mexer a massa dos bolos, nem julgueis que se deixares de ser a harmonia que há no céu e na terra, no cão e no gato, no barro que faz o criador e que lhe coze a palavra, porque aalma dos homens é um forno a lenha e sabe muito bem comer o pão no forno daalma dos homens e sabe ainda melhor rezar os salmos e ouvir os sinos na torre e tu pões as tuas mãos á volta do meu pescoço. A minha vida também precisa de concerto, a minha vida parece um armário desaparafuzado. Que achas que posso fazer? Dona Maria Das dores uma espírita encarnando a escumalha dos suburbios, pessoa vérsatil em ciencias e bolsos ocultos, não tem sorte com a minha desgraça, tenho o azar de ser muito pobre e a sorte de não ser, nem assim tão rico, nem assim tão estupido. Há pessoas muito dentro das coisas, muito elevadas no saber, na consciencia e na pureza da alma. Aquele que desenhar como uma criança mesmo que tenha um passado criminoso ou que aindasejao mais feio homem das cavernas se desenhar como as crianças será curado de todas as doenças e de todas as alergias, isto também vem escrito no salmo dos gatos, na parabola do senhor aos roedores do templo. Aquele que tiver um queijo e não o dividir mesmo que o tal seja muito pequeno e a fome muito grande não será digno de uma casa limpa, viverá entre os vermes e será lançado no lixo do mundo para todo o sempre. Os roedores do templo não escutaram estas ensinanças, tinham as orelhas tapadas com bocados de queijo. Tu estás sentada perto do fogo, olhas muito fixamente para mim, queres perguntar-me algo com os olhos, depois perguntas se tenho medo de ti? És esquizofrenica paranoica, o teu marido é um pouco violento quando bebe, tu pedes-me um cigarro, digo-te que não fumo e tu mais uma vez revelas que só sabes fazer gatos e anjos e também gostas de fazer pessoas. Houve momentos que fazias os teus poemas mas a tua mão treme e tu que não sabes guiar as palavras ficas a olhar em volta como se as palavras andassem de mesa em mesa como se esse modo que tens de me olhar os olhos fosse uma história, um acontecimento, uma noticia da vida que é dos outros  mas nós gostariamos que fosse nossa porque pensamos sempre que a nossa vida é a mais vazia. Não sabemos de que coisas falam os pássaros, se eles tivessem a vida tão vazia como nós julgamos ter a nossa, nós e eles seriamos feitos da mesma conversa e da mesma rotina, nós e eles no linho dos mesmos lençois nos deitariamos. Certo que somos pobres, mas é mais a pobreza de o pensarmos, não nos faz bem a resignação, tu de cabeça cabisbaixa acendes uma vela, há a sombra do gato a trepar a parede, tu mostras-me os teus desenhos, num certo sentido são muito adultos, não sei explicar muito bem, pareces uma criança a tentar ser a vida demasiado responsavel e no entanto eu imagino o gato dos teus desenhos ou o gato dos telhados ocupados nos seus negócios. Tu estás nua dentro da tua casa e do teu quarto, o espaço que habitas é uma roupa, vejo-te da minha janela, com os meus olhos acrescento outras linhas ás arestas que o contornam.  Outro dia houve uma inundação na rua onde moras, moras num bairro judeu, és a unica negra que l á habita, a tua avó costuma dizer que os Judeus cheiram a dinheiro, a tua avó sabe das vidas dos que emigraram para o continente Americano, das coisas que houve faz uma história de encantar, as partes tristes ficam na emoção acentuada das palavras, nem sempre essas palavras são verdadeiras, mas a poesia também é subjectiva como os teus gatos na folha de papel,os gatos no discurso politico, nas conversas antigas de namoro á janela. Os teus pensamentos, a importância pessoal deles é que seguram os teus pés, não vais ficar em desconforto, precisas de uma estrutura na tua vida, de uma convicção que sustente a tua razão como os ossos que não deixam cair o teu corpo. Tu tens de afirmar a tua verdade pessoal, tens de vencer essa angustia, quando est á s angustiada vestes um personagem sem papel, tu pareces um gato com muitas vidas, tu não consegues tomar conta desse barco. Que é o amor? Não sei se o barco levou o amor, não sei se abris-te as mãos e fizes-te de propósito para ele fugir. Gritas, os teus pulmões estão cheios, as guerras duram h á tanto tempo e tu ainda não encontras-te a expressão adequada para a tua revolta. Ela pensa que é um anjo; Na verdade ser se anjo não é doença nenhuma. A doença do mundo é haver falta de de sonhos, de paixões fortes, de enganos tão absolutos como verdades sem discussão. Não quero discutir se és um anjo, não é por isso que vou deixar de guardar o melhor gosto, nunca se sabe quanto tempo fica, ter algum poder é melhor que não tentar nada. Ela declarou-me o seu amor impossivel. Estava preocupada. Perguntei-lhe se tomava os medicamentos, reparei que estava com muito medo, tomou a minha mão, com a outra desenhou na folha do caderno um anjo.

o nosso amor vai ter de acabar! Estas foram as suas palavras, havia nelas uma entoação triste. ela perguntou-me o que pensava eu da maldade humana? Não tenho respostas para me vestir, fica a saber que eu não sou uma m á quina, não serve de nada ficar na margem e não ter uma onda forte, também preciso de quem leia o meu grito. O amor  tem a porta aberta ou o amor é a direcção que eu ainda não tenho. Quero muito aprender, não faz mal se tu renunciares, há muito tempo que preciso de renunciar a certos gostos que não me ficam na lingua que isso me vai fazer sentir mais em união. Existem os paraisos do engano, os que proclamam a verdade absoluta ou o amor eterno, afirmar que não nos vamos perder, que tudo est á garantido… e que espaço ainda fica para sermos livres, vai embora, ter-te conhecido foi uma armadilha, ameaçaram-me de morte e eu sei agora que a solidão é uma protecção, fica longe, não quero mais os teus gatos e os teus anjos, vou subir na á rvore e ficar anónimo. Regressei ao meu estado solit á rio, as linhas que escrevo não são para ti. Olho as mães que levam as crianças á creche e que as esquecem. Cheira a pão e a pneus queimados. Penso na colorida praça de palermo e nos juizes mortos pela mafia, há criminosos mortos sem distinção. Vai-te embora, não sou o cristo das tuas visões… não vou deixar que me leves á praça publica, agora vou ficar tomando atenção ao ceu. Oiço o galo cantar e em procissão passa o meu corpo e eu sigo o meu corpo e o vento que lhe sopra. A rapariga do cinema est á no cortejo, tudo parece um filme, sou um ser anónimo e é uma sensação sem definição certa. Vou sentar-me no chão, por mim passa o homem cego e o cão, passa uma fila de ciclistas e as mulheres da vida perfiladas no passeio, não quero saber de nada, não h á nada pior que um crime misturado com a chuva, voltar a nascer tem de ser uma coisa muito bem pensada, é melhor ficar por aqui, não pretendo ficar conhecido, a minha fotografia no jornal não gostaria de ver, sou um ser invisivel, hei-de ter o meu lugar na rua e na mesa, hei-de ter o meu lugar nos sonhos e nas aspirações. Vou merecer um amor digno… Nos dias em que não apetece vou deixar-me ir. A poesia acontece assim, fria como um fio de navalha. É possivel fugir, voce quer resolver esse enigma, não causa espanto a sujidade dessas almas. Como são pobres os que habitam a aldeia do lugar comum. É verdade que uma pessoa nunca se prepara e por isso a morte chega sem avisar. Nós somos como as vacas levadas ao matadouro, no momento em que descobrimos o melhor pasto h á de haver uma faca a esquartejar-nos. Você insiste na mesma pergunta: Se acredito no amor, o amor é como o gato que pode cair do telhado. Olhe parece que inventei um proverbio, fique sabendo que as minhas duvidas são do tamanho de um monte de palha, você acende um fosforo e arde tudo. Estou confuso, sento-me de olhos para si e não sei como começar. O seu fato preto intimida-me. Quer que exponha o meu problema, não sei se é de interesse a parte dos anjos, dos gatos , das serpentes e dos roedores. Tudo começou á s dez horas. O céu estava azul, isso não condiz com o meu estado clinico no entanto quero enfatizar que o céu estava azul e que o dia da semana era um sabado consagrado ao descanso.

Sabe uma coisa?! Querem matar-me. Não é o amor impossivel que me doi, o que me doi é não saber se faz sentido.

Se quer acender o cigarro faça como entender. Se o fumo me incomodar posso escolher outro ponto no mapa. Se eu me levantar, abrir a porta e sair fica tudo na mesma. Se voce fosse filosofo nao o tratava deste modo formal, contava-lhe as partes medonhas e estranhas do meu percursso de vida, contava-lhe de uma maneira metaforica como è que uma mulher esquizofrenica lançou a serpente a meus pes. Quer saber  se eu gosto dos pobres? Agora não há pessoas a fazer os próprios sonhos. Não vejo verdadeiro amor, é tudo a multiplicar. Uma casa, um carro, uma televisã com uma boca cheia de sangue a entrar nos olhos dos pobres, ela deu poder aos pobres e o poder dos pobres é mediocridade.

Que vê da sua janela?

Casas de betão… muitos metros de estrada… e você sabe quem mandou construir tudo isto?

Não acredita que foi um pobre! Os pobres não são todos iguais, não vestem todos o mesmo fato. Este é o mundo dos roedores. A questão não se põe de que lado estou. Gostaria de mudar todo este enrredo. porque me olha desse modo inquiridor? Sim é verdade que andei no ar… como este amor não se concretizou não cheguei a voar. Porque lhe falo por metáforas?! Não o devia fazer… mas o que já sabe é que me querem matar, pois a vida quer matar-nos todos os dias, nós não temos as sete vidas dos gatos e o amor é uma faca longa, viramos ao contrário e fingimos que é uma flor. Sim eu sei que o sol está a apagar-se. É a minha oportunidade de fugir. Também eu sou um gato entre páginas. lobo 06

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Saturday, October 21, 2006

um mar para a revolta

Não aconteceu nada… nem eu no espelho nem tu do outro lado.Cada um de nós tem a sua margem, as minhas lágrimas são as minhas lágrimas e tu tens a tua vida, tens o sorriso que tens. Não sou indiferente só não fico a guardar uma canção demasiado tempo na garganta.
Não aconteceu nada, nem eu tenho poesia, nem tu precisas de acender o candeeiro para me leres, ocupas melhor os olhos lendo as nuvens, lendo as mãos de um qualquer vagabundo.
Não aconteceu nada, não tenho vinho para encher o copo, nem palavras para as conversas sociais.
Ficamos apenastu desse lado e eu deste. Tu tens um gato para acariciar eu um mar selvagem para a revolta. Espero que o meu mar não te arranhe e que o teu gato não me afogue.

lobo

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quando no cais dos olhos se navega

Há pássaros guerrilheiros nascidos da chuva e do desespero. Quando fechas os olhos parece uma lua escura em volta das fogueiras apagadas de canções. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é uma bala que nos mata. Há pássaros guerrilheiros que cantam o poder da primavera e cheiram ás flores do desespero, aventura louca e desenfreada do amor. Agora fechas os olhos e é para que a noite adormeça na margem do silêncio ao pé da água. Mas é preciso não esperar mais, a solidão é um olhar que nos trespassa quando no cais dos olhos se navega.
lobo 05

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Estou deste lado

Estou deste lado e olho um bicho invisivel que desce o rio, parece que a noite que me sacode o corpo é esse rio que desce o meu subconsciente. E eu fico deste lado a olhar-me, parece que sou duas partes e tantas vezes parece que não sou parte nenhuma. Ma é possivel que eu esteja flutuando num fio de luz, talvez eu habite o planeta louco das incertezas humanas, de outro modo que orça encontraria para o poema ou para ter os meus braços no teu peito aspero como tronco de árvore. Estou deste lado e vejo aquele lado em que o relógio me fere os olhos, parece que não há o tempo perdido do amor e muito provavelmente o tempo é um chocolate derretido adormecido ao sol. E tu que podias ser supostamente a lenda que mora na minha secreta árvore e não sei se nela estão pensamentos ou desejos, pois que se eu tivesse pensamentos e desejos o meu amor seria pequeno e eu já não estaria dentro dessa natureza caracteristica das árvores e das lendas. Estou deste lado e olho uma gota de água e não sei se isso são as tuas lágrimas! Se eu soubesse a história dessa gota, se apenas numa gota se resumisse o mundo ou se nós fossemos aquela noticia da rádio em que a morte se apoderou da nossa paixão no velho quarto de hotel. Estou deste lado, olho dentro da tua blusa e vejo o bicho invisivel, há olhos que parecem bichos grandes. Uma sensação que o teu corpo me provoca…

lobo o6

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No tempo do antes

no tempo do antes

No tempo do antes, ainda muito antes do nascer do mundo e do existir do homem parece que a unica coisa com vida era um piano de cauda. O Deus parece ter-se inspirado para a sua vontade de criaçao, soprando nas sete notas, criando esse poder de fazer e separar as àguas. viu ele que havia melodia e com o ritmo encheu os lagos, os rios e os mares de peixes e outros aparentados, depois tocou o rè e o dò assim sucessivamente como criança saltando de pedra em pedra. Fez macho e femea, sensuais e elegantes como uma clave de sol, depois pediu que as suas criaturas fechassem os olhos, assim ficou de noite, uma noite tao intima de tao escura. O Deus imaginou que o mi era erva a crescer e o sol uma àrvore a pingar de frutos. Nesse tempo, no tempo do antes pensou ele em compor uma cançao e do verbo fez um anjo, um anjo que dançava e que com as suas asas sacudiu uma pequena nuvem que por ser fragil sentiu uma dor de ficar chuva, assim se pode explicar o sofrimento do mundo. Adao e Eva os habitantes daquele jardim correram para se abrigar na densa folhagem da arvore da sabedoria. Rastejando pelos costados de seu tronco ia a serpente considerada o desafinador de criaçoes. Por causa daquela chuva torrencial o piano de cauda tinha apodrecido e eles homem e mulher tinham que ir às vida, serrar madeira, fazer um grande piano de cauda e encontrar alguèm que caminhando nas suas teclas junta-se de novo o primeiro som e a primeira origem da àgua ser àgua e o cèu ser cèu e o amor andar a fermentar poesias e satisfaçoes. Passaram jà muitos milhares, milhoes de anos, homem e mulher trabalharam mais o ferro, fizeram tanques de guerra, coroas para coroar reis, espadas para decepar suas raizes de irmandade. Deus continua à espera de um piano de cauda e o mundo è ainda uma serpente e um desafinador de criaçoes.
lobo 03

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Friday, October 20, 2006

Se eu me perdesse no teu rosto

Se eu me perdesse no teu rosto

se as nossas mãos inventassem outra prece

outro sabor para a água

 

outro culto para fazer a descoberta do sexo

 

que nós segredamos á noite como se ela fosse nossa parente

 

lobo 06

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Tenho o sol a derreter-me nas mãos

para a Nina

Tenho o sol a derreter-me nas mãos e nas tuas palavras e nos teus gestos e nos teus livros e nas tuas viagens e no corpo dos homens e no tronco das árvores a tua alma receberá a sombra a tua alma voará.

Limpa as lágrimas ao rosto do vento.

tenho o sol a derreter-me nas mãos

depois alguem entrará em ti pelo caminho do mar.

Limpa as lágrimas ao mundo

aos homens que fazem a guerra

aqueles que sobrepoem a fome á poesia.

 

E nas tuas palavras e nos teus gestos e nos teus livros e nas tuas viagens e no corpo dos homens e no tronco das árvores a tua alma receberá a sombra a tua alma voará.

 

lobo 06

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Thursday, October 19, 2006

O lugar onde pões os olhos, encontrar uma história exacta, a palavra que mexa o fogo ou que fique na solidão do próprio sonho enquanto dormimos.

 

Esse lugar onde pões os olhos

essa memória, a chuva sobre o ferro e sobre a pedra.

 

O lugar onde pões os olhos

o universo sobre o peito

e a musica sobre a água e sobre a pele.

Esse lugar onde pões os olhos

 

onde vestes a terra

da tua própria sombra

 

lobo

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